Rumo do mercado de entretenimento nos próximos meses ainda é incerto

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. (Foto: Reprodução)

O coronavírus e todas as suas consequências vieram para colocar em xeque várias certezas que tínhamos. O mundo parou, e as atividades passaram a ser realizadas em um ritmo e frequências diferentes das que já estávamos acostumados. Em todos os setores.

Fábricas tiveram suas produções paradas, produtos começaram a faltar, e a OMS chegou a pedir o aumento na fabricação de máscaras, um item básico para conter as transmissões e que estava em falta no mercado já em março.

Grande parte dos consumidores, por sua parte, buscou se adaptar às demandas oferecidas, consumindo produtos de outra maneira e criando novos hábitos que se adequavam à rotina dentro de suas casas. Com isso houve um crescimento em streaming e serviços de entregas.

Mas o setor que teve o maior impacto foi o do entretenimento, aquele culturalmente entendido como supérfluo, mas que se encontra muito longe disso: esse ramo emprega milhares de pessoas em todo o mundo, em empresas voltadas ao turismo como restaurantes, hotéis, casas de espetáculo, somando-se a eles alternativas de lazer como shows e jogos.

Reabertura dos locais provoca grande discussão

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Turistas correram para a Sardenha, pensando que o local estava livre do vírus (Foto: Reprodução)

Hoje existe um grande debate com relação a reabertura de locais de lazer, pois já tivemos exemplos do quanto isto deve ser visto com cautela. Sardenha, por exemplo, abriu suas portas na certeza de que era uma ilha do mediterrâneo livre do vírus. Com isso, milhares de turistas e celebridades foram atraídos por seus resorts paradisíacos.

Porém, esses visitantes acabaram por espalhar o vírus na Itália e Europa, com a circulação dessas pessoas. Para conter uma nova onda de contaminação, o Governo resolveu voltar atrás e fechar alguns locais, restringindo a presença em locais públicos.

O mesmo ocorreu na França, quando foram detectados em um só resort 95 pessoas contaminadas. Esses fatos abrem uma reflexão sobre a reabertura precoce enquanto o vírus não é controlado devidamente.

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Torcedores do PSG provocaram grande aglomeração. Imagem: Reprodução (Foto: Reprodução)

Outra forma de entretenimento das grandes massas que vêm sofrendo um grande baque é o esporte. Os torneios esportivos atraem um público imenso, que por vezes unem mais de 150 mil pessoas em um só estádio.

As partidas presenciais de todos os esportes estão voltando aos poucos, mas já se enxerga um problema aí: mesmo que não seja permitida a presença do público nos estádios, muitos torcedores estão se aglomerando em bares e festas para assistir às transmissões.

Foi o que aconteceu em Paris, quando torcedores do PSG realizaram festas e desobedecendo as leis de restrição impostas pelas autoridades. Não muito diferente do que também ocorreu em São Paulo, quando torcedores se encontraram em bares da Vila Madalena para acompanhar a final do Brasileirão.

Novas alternativas vão surgindo, outras retornam

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Games e jogos online vêm sendo mais procurados do que antes (Foto: Reprodução)

Mas se algumas alternativas de entretenimento vêm sofrendo com as adaptações, há aquelas que se fortificam durante a pandemia. É o caso dos jogos online, que tiveram um boom durante o período, lucrando mais do que esperado. 

O setor de games teve um aumento significativo desde o início da pandemia, com games sendo mais procurados do que antes. Tal situação é um reflexo da obrigatoriedade do isolamento social somado à necessidade de distração, trazida pelos jogos. Além disso, há uma grande parcela que descobriu que há a possibilidade de participar de torneios online em várias modalidades. Com isso, aumentou o público interesse em campeonatos de Lol e outros eSports.

O mesmo pode se dizer sobre os circuitos que envolvem milhares de cifras, como os de poker. As partidas presenciais podem ainda viver um hiato, mas torneios milionários como o WPT (World Online Championships), maior acontecimento do poker online do ano ou a Powerfest, principal série de torneios do partypoker, continuam atraindo jogadores brasileiros e sulamericanos que buscam conquistar suas premiações. 

E não são poucos aqueles que estão de fato tentando manter-se em alta durante o período. Além dos esportes e games, os artistas também estão tentando se reinventar. Eles precisam de público, mas enquanto não é possível, muitos atores aproveitam plataformas online para se apresentar virtualmente em seus espetáculos.

Irene Ravache é uma delas. A consagrada atriz foi uma das artistas que se apresentaram no projeto EmCasaComSesc com seu espetáculo “Alma Despejada”. O projeto traz performances criadas especialmente para serem transmitidos de maneira remota, trazendo a oportunidade do público continuar a ter acesso a material de qualidade diretamente de casa.

Outro modelo que vem sendo adotado é o formato drive-in. Bem popular durante a década de 50 nos Estados Unidos, o formato era originalmente ofertado por cinemas. Nele, o público assistia às sessões dentro de seus próprios carros. Com a evolução, essa modalidade foi caindo em desuso, mas agora vê uma sobrevida.

Heloísa Perissé, por exemplo, já apresentou seu monólogo "E foram quase felizes para sempre" em um drive-in em Salvador. Grupos musicais como Jota Quest também já fizeram, assim como filmes também vem sendo apresentados. Mas esse tipo de entretenimento ainda causa controvérsias. Mesmo que para entrar em uma dessas arenas, seja necessário estar munido de máscaras e bem acomodados em seus carros.

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Os drive-ins têm se tornado populares em algumas regiões (Foto: Reprodução)

Uma discussão é com relação à segurança de fato, aos altos custos e aglomeração que esse tipo de evento traz. Além disso, as equipes técnicas que trabalham estão assumindo riscos enquanto os números de contaminados só aumentam. Porém, apesar disso, os ingressos têm se esgotado rapidamente com pessoas ávidas por escapar de suas casas.

A reflexão sobre tal modo de entretenimento verte para a questão de sobrevivência da atividade. Não se sabe ainda se com a reabertura de cinemas e casas de espetáculos, tal modo de diversão irá continuar. Tudo indica que não, se levar em consideração o histórico e os preços altos dos ingressos (cerca de 200 a 400 reais por carro), além do desconforto de estar durante duas ou três horas dentro de um veículo.

Leve-se em consideração também a reabertura que ocorrerá em algum tempo dos cinemas e teatros, e a autorização posterior de outros estabelecimentos. Por enquanto não se sabe quando, mas os rumos do mercado de entretenimento seguem um pouco mais imprevisíveis do que antes: se abrem-se novas alternativas, chega a hora de pensar quais sobreviverão a esse período conturbado de 2020. O que nos resta é esperar.



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Turistas correram para a Sardenha, pensando que o local estava livre do vírus
Torcedores do PSG provocaram grande aglomeração. Imagem: Reprodução
Games e jogos online vêm sendo mais procurados do que antes
Os drive-ins têm se tornado populares em algumas regiões