Demora da vacina é maior erro político de Bolsonaro e pode prejudicar reeleição em 2022, afirma Maia

O presidente da Câmara ainda comentou o decreto de Bolsonaro que isenta os impostos de quem deseja importar armas

Reuters/Adriano Machadoi
Credit...Reuters/Adriano Machadoi

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse no sábado (12) que o maior erro político do presidente Jair Bolsonaro é a forma como o governo federal está lidando com a compra de vacinas contra a covid-19.

Para Maia, a demora pode custar ao presidente a reeleição em 2022.

"Esse é o tema que pode gerar o maior dano de imagem. As pessoas estão começando a entrar em pânico, em desespero", afirmou.

Maia afirmou, em entrevista ao jornal "O Estado de S.Paulo", que a vacina contra a covid-19 "é o ponto mais crítico do governo".

"A demora na compra da vacina é o maior erro político de Bolsonaro. Esse é o tema que pode gerar o maior dano de imagem para o presidente. Faz voltar na memória das pessoas todos os erros do governo, desde o início da pandemia. Isso pode impactar o projeto de reeleição", disse.

O presidente da Câmara ainda comentou o decreto de Bolsonaro que isenta os impostos de quem deseja importar armas.

"E aí ele isenta a importação de armas. Precisa tratar sem paixão, sem ideologia, esquecer o conflito com o governador de São Paulo", afirmou.

Sobre a eleição do comando da Câmara dos Deputados, Maia disse que o o governo federal está criando um "balcão" de negócios na Casa para eleger o seu sucessor ao tentar comprar votos com cargos e emendas.

"É muito óbvio que não é a pauta econômica que faz o presidente rasgar o que falou ao longo da campanha: que não iria interferir no outro Poder, que o Brasil foi destruído pelo toma-lá-dá-cá, pela troca de cargos, pelas as emendas, e que isso levava à corrupção", disse.

O presidente da Câmara ainda falou que, ao prometer cargos e emendas aos parlamentares, Bolsonaro corre o risco de enfrentar uma Câmara dos Deputados mais dividida.

"Da forma como Bolsonaro está entrando, com o Palácio recebendo parlamentares, oferecendo emendas, dessa forma muito escrachada, ele vai acabar tendo, no pós-eleição, uma Câmara muito mais dividida do que ele tem hoje. Corre o risco de ter um ambiente muito menos confortável para as pautas que, de fato, são relevantes", completou.(com agência Sputnik Brasil)