Covid-19: Reino Unido começou hoje a vacinação, mulher de 90 anos foi a primeira

Foto: Jacob King/Lusa
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As autoridades de saúde do Reino Unido disponibilizaram nesta terça (8) as primeiras doses de vacina contra a covid-19, dando início a um programa de imunização global que deverá ser impulsionado à medida que mais fórmulas forem sendo aprovadas.

A primeira dose foi administrada num dos hospitais de uma rede espalhada por todo o país, onde a fase inicial do programa já foi apelidada de Dia-V, anunciaram as autoridades sanitárias.

A primeira pessoa do Reino Unido a receber a vacina contra a covid-19, desenvolvida pela farmacêutica norte-americana Pfizer e a sua associada alemã BioNTech, foi uma mulher de 90 anos.

Margaret Keenan foi filmada enquanto lhe era administrada a vacina, por volta das 6h30 (horário local, 3h30 no Brasil) – no Hospital Universitário de Coventry, no centro de Inglaterra.

Os reguladores britânicos deram na semana passada luz verde a esta vacina, que a partir de hoje começará a ser administrada aos grupos de risco do Reino Unido.

O país obteve este avanço no projeto de vacinação, depois de, na última quarta (2), os reguladores britânicos terem dado autorização de emergência para a vacina produzida pelo fabricante americano de medicamentos Pfizer e pela empresa alemã BioNTech.

As autoridades dos EUA e da União Europeia estão também revendo a vacina, na medida em que outras fórmulas concorrentes, desenvolvidas pela empresa americana de biotecnologia Moderna e por uma colaboração entre a Universidade de Oxford e o fabricante de medicamentos AstraZeneca.

No sábado, a Rússia começou a vacinar milhares de médicos, professores e outros grupos de risco em dezenas de centros em Moscou, com a sua vacina Sputnik V.

Este programa é encarado de forma diferente, uma vez que a Rússia autorizou o uso da vacina no verão, após ter sido testada em apenas algumas dezenas de pessoas.

Os primeiros carregamentos da vacina Pfizer-BioNTech foram entregues no domingo a um grupo selecionado de hospitais do Reino Unido.

Numa dessas instalações, o Croydon University Hospital, a sul de Londres, a equipe não pôde sequer tocar nos frascos, mas ficou entusiasmada por tê-los apenas no edifício.

A vacina não vai chegar tão rápido quanto seria desejável ao Reino Unido, que conta com mais de 61 mil mortes - mais do que qualquer outro país da Europa – e mais de 1,7 milhões de casos de covid-19.

As 800 mil doses são apenas uma fração do que é necessário. O Governo planeja aplicar em mais de 25 milhões de pessoas, cerca de 40% da população, na primeira fase do seu programa de vacinação, dando prioridade às pessoas com maior risco de contrair a doença.

O segundo grupo será o das pessoas com mais de 80 anos e dos trabalhadores em lares. O programa será expandido à medida que a oferta aumentar.

Na Inglaterra, a vacina será entregue em 50 centros hospitalares na primeira fase do programa, esperando-se que mais hospitais a disponibilizem à medida que o programa se for desenvolvendo.

A Irlanda do Norte, a Escócia e o País de Gales estão fazendo os seus próprios planos no âmbito do sistema de administração descentralizada do Reino Unido.

As questões logísticas atrasam a distribuição da vacina Pfizer, porque esta tem de ser armazenada a uma temperatura negativa muito baixa: -70 graus Celsius (-94 graus Fahrenheit).

As autoridades também estão concentrando-se nos pontos de distribuição em grande escala porque cada pacote de vacinas contém 975 doses e não querem que nenhuma seja desperdiçada.

O Reino Unido concordou em comprar milhões de doses de sete produtores diferentes.

Os governos de todo o mundo estão fazendo acordos com múltiplos laboratórios para garantir que os produtos aprovados para uso generalizado sejam entregues.(com agência Lusa)