O tempo voa

Nesta semana faz cinco anos que foi realizada, no Rio de Janeiro, a Jornada Mundial da Juventude – maior evento católico do mundo. Foi a primeira viagem apostólica internacional do Papa Francisco, que mostrou ao mundo o seu jeito latino-americano de ser. O Papa, que quebrou protocolos e quis estar no meio do povo, foi recebido pelo arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, que tem esse ardor missionário como forte característica. 

Então foi assim: tivemos a oportunidade de conhecer e nos encantar com um Papa extremamente preocupado com o próximo, atento às questões do mundo e que prega a necessidade de uma visão humanista da economia e de uma política que deve realizar cada vez mais e melhor a participação das pessoas. Além disso, participamos do acolhimento do arcebispo do Rio de Janeiro, que preparou uma semana muito especial para todos, com auxílio de brasileiros voluntários, que demonstraram ser grandes apoiadores e propagadores de uma corrente para o bem. 

Viver a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro proporcionou a milhares de peregrinos uma experiência de vida única em todos os sentidos. Primeiro, por estar com pessoas de diferentes culturas, idiomas, que embora fossem tão diferentes, estavam unidos por uma só linguagem: a do amor de Jesus. Segundo, porque tivemos a oportunidade de conviver com pessoas que muito ensinaram com seu modo de viver e de expressar a sua fé. Enfim, foi contagiante a alegria por todos os lugares que passamos, desde o alojamento, passando pelo metrô, pelas ruas, até a chegada aos eventos lotados, onde se pôde sentir a verdadeira unidade e o amor entre irmãos. 

A cada ato da jornada éramos surpreendidos pelo nosso querido Papa Francisco, que proferiu diversos discursos na semana que passou no Brasil: falou aos jovens participantes da Jornada; a fiéis durante a missa no Santuário de Aparecida; a moradores de uma comunidade carente, a um hospital, a um centro de tratamento de dependentes químicos; a políticos e pessoas ligadas a organizações civis; aos bispos da Igreja Católica; além de falas mais breves em momentos como o da sua recepção e despedida.

Nesses espaços foi ressaltado o papel da igreja como comunidade acolhedora que sai ao encontro das pessoas, em especial dos pobres das periferias; e o diálogo como caminho para um futuro melhor no mundo, instrumento na política e entre as religiões. 

Um momento marcante, que ficou na memória de muitas pessoas, foi a missa de despedida do Papa – a Missa de Envio – com mais de 3,7 milhões de pessoas, dos mais diversos cantos, espalhados nas areias da praia mais famosa do Brasil – Copacabana. Diante da paisagem abençoada do mar, da montanha e do abraço do Cristo Redentor, o Papa Francisco silenciou a multidão, acalmou corações, fortaleceu e incentivou o destemor crítico, tão característico da juventude, além de abençoar a todos, fechando uma semana intensa de descobertas. 

Diante de tudo isso, restou a certeza de que o grande pastor da igreja é um homem humilde, de coração grande e sem preconceitos. O Papa nos deixou saudade, mas temos um líder em nossa igreja local que está em sintonia com o pontífice. Através do cardeal Orani Tempesta conseguimos ver essa igreja em saída. Dom Orani vai ao encontro dos marginalizados, dialoga com uma sociedade desacreditada, buscando sempre a unidade entre todos.

Em tempos de crises nas instituições e nos valores, de violência e de falta de esperança, quando a angústia insiste em bater à porta da alma humana, o Bispo de Roma e o do Rio de Janeiro são exemplos de homens que lutam por um mundo mais justo e fraterno. 

* Pároco da Paróquia de São José da Lagoa e reitor do Cristo Redentor