Se um não tem direito, nenhum de nós tem

Em 28 de junho foi celebrado o Dia Internacional do Orgulho LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexuais). Acompanho uma luta diária por respeito e direitos para todos nós, LGBTI. Fui escolhido para ser o coordenador Especial da Diversidade Sexual pelo prefeito Marcelo Crivella, primeiro, devido à minha formação na área de educação, na qual atuei durante 20 anos; segundo, por minha especialização em gestão pública. 

O trabalho na coordenadoria se dá em uma pasta complexa, em um cenário extremamente tenso. Posso mencionar vivências com os representantes dos movimentos sociais e da atuação pública, em si. Acredito que a relação do trabalho com todos os atores sociais possa trazer reflexões interessantes para que entendamos o quanto todos nós, sejamos LGBTI ou não, precisamos contribuir para o desenvolvimento de uma sociedade mais diversa em todos os sentidos.

Reconhecer as necessidades e direitos à dignidade humana de grupos sociais, seja por orientação sexual, gênero, religião ou cor, significa coroar a luta que esses grupos travaram para ter sua representação.

É dessa forma que o grupo de servidores da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio de Janeiro  entende, isto é, se temos nosso espaço é porque muitas dessas pessoas lutaram para que hoje estivéssemos aqui. É um desafio.

E para enfrentar esse desafio, de forma mais assertiva, buscamos conhecer essas pessoas – em 2017, por exdemplo, fizemos inúmeras reuniões. Identificamos vozes relevantes, independentemente de ideologia política, para termos em nossa equipe. Hoje, temos duas travestis negras, um homem trans, uma mulher transexual e gays. Trouxemos, então, pensamentos diferentes ao nosso dia a dia para que o ambiente de trabalho fosse realmente um reflexo das ruas. Somos plurais em cor, realidade social, identidade de gênero e pensamentos. Fazemos uma gestão transparente. Temos um embate discursivo internamente para que as vozes que representamos não sejam invisibilizadas.

Desenvolvemos várias frentes de trabalho. Funcionamos como uma miniprefeitura, dentro da prefeitura, para as causas LGBTI, ou seja, direcionamos atendimento de saúde, casos de violência, eventos públicos, empregos, projetos e campanhas. A coordenadoria especial trabalha em questões que importam na vida das pessoas.

Podemos citar alguns exemplos, como a implementação do Protocolo Eletrônico de Atendimento para pessoas trans, no CER da Barra, e o projeto social Trans+Respeito, que, inclusive, já gerou 109 oportunidades de empregos entre temporários e permanentes. Atendemos 30 vítimas de agressões neste primeiro quadrimestre de 2018 e conseguimos elucidar um dos casos em parceria com o Departamento de Proteção à Mulher da Polícia Civil (DPAM), que levou à prisão do agressor. Também construímos, em conjunto com os movimentos sociais e o DPAM, um protocolo de atendimento às mulheres trans e travestis nas delegacias de mulheres no Estado do Rio de Janeiro.

Apoiamos diversos eventos no município. Somente durante o Carnaval reunimos 20 mil pessoas no MAM. Construímos parcerias com empresas privadas e, em maio de 2018, 14 pessoas trans foram contratadas por uma rede de supermercados. Precisamos seguir com criatividade, transparência e dignidade para mantermos viva a chama da diversidade. É somente gerenciando vozes antagônicas que poderemos modalizá-las de forma a conseguirmos respeito.

Por último, convoco todos os cariocas para que entendam que somos ricos em diversidade. Lembremos que, ao sermos intolerantes com quem quer que seja, somos intolerantes com todos. Precisamos respeitar diferentes opiniões, mas as opiniões não podem nunca agredir quem quer que seja. Precisamos negociar nossas ideias de forma sincera e justa. Por isso, o lema da nossa principal campanha é Rio+Respeito.

* Coordenador Especial da Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio