Adágios populares

Um antigo adágio proclama: “Vox populi, vox dei”: Voz do povo, voz de Deus. Em oposição à opinião do grande dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues, para quem a unanimidade era uma manifestação de pouca inteligência, ouso discordar dele, com todo o respeito. Para uma parte esclarecida de muitos povos e países deste mundo afora, incluindo o Brasil, aos olhos de um exame criterioso focando o cenário político mundial e o cenário brasileiro, a conclusão, neste caso, quase totalmente unânime, é a que resulta de outro dito popular a saber: “Plus ça change, plus c´est la meme chose” (Quanto mais a coisa muda, mais continua a mesma).

Todas essas considerações têm uma razão de ser: o perigo que paira sobre todo o mundo, ou seja, a ameaça de uma terceira guerra mundial, quando dois dos mais poderosos líderes do mundo se encontram para estabelecer a “paz”. Esses dois líderes, Trump e o ditador norte-coreano, são totalmente desequilibrados, destemperados, agressivos e loucos. Creio que haja unanimidade nessa opinião.

Através da história mundial, os homens sempre têm guerreado em nome dos mais variados objetivos e ideais a serem alcançados. As crenças religiosas foram executoras das maiores violências e matanças.

Em grande parte ou talvez na maioria dos motivos propulsores desse contínuo processo de aniquilar os inimigos era a conquista de mais territórios ou a defesa daqueles já possuídos e que eram alvo da cobiça de outros guerreiros ambiciosos.

As técnicas desse processo de lutas foram se aperfeiçoando progressivamente. Atualmente o envio de mísseis com sofisticado cálculo e prévia preparação são as armas da moda. A tecnologia tem avançado em todos os sentidos, e como!

Eis que o foco de atenção mais importante ou um dos mais importantes do momento é quem poderá fazer possível uso dessas armas. As armas nucleares são um enorme perigo, se um conflito generalizado eclodir. Vou bater na madeira três vezes para afastar essa probabilidade nefasta.

Retornando à dupla de insanos mentais, como eram gritantes as disparidades entre as duas figuras, nesse encontro memorável, registrado seguramente no mundo todo. Um, alto louro, com duas circunferências albinas em torno dos olhos e o resto do rosto vermelho resultante, talvez, de um bronzeamento artificial, mais velho todo simpático. O outro atarracado, mais guerreiro e mais gordo, mais baixo e com um corte de cabelo geométrico que eu ainda não consegui compreender. Meio sem jeito, ele e o louco louro caminhavam juntos no aguardo do importante aperto de mãos. O louco moreno parecia muito acolhedor, receptivo, enquanto o louco Trump estendia o aperto de mãos em um carinhoso quase afago no braço do louco asiático. Paz, amor, compreensão! Tudo doçura, tudo encenação, tudo “teatrinho”.

Há semanas atrás os dois trocavam insultos, nos quais não foram esquecidos detalhes físicos dos dois inimigos.

Mas nesta altura dos acontecimentos a harmonia falsa, visando anular a ameaça de uma terceira guerra mundial é bem-vinda e urgentemente necessária. O que os dois falaram a portas fechadas, somente com a presença de intérpretes, permaneceu em sigilo.

Trump, ao falar com a mídia, comunicou que convidara Kim Jong-un para visitá-lo na Casa Branca, em Washington. Visita feita, convite retribuído. 

O cenário brasileiro atual já tem nos amargurado bastante. O que acontece no Brasil e no mundo pode ser compreendido como variações em torno de um tema com muitas facetas: cobiça, prevalência da violência e do nosso instinto selvagem animalesco.

“Quanto mais a coisa muda, mais continua a mesma”, é a mais pura verdade. Infelizmente!

* Mestre em Educação pela UFRJ