Mais três dias no Porto (e arredores)

Na semana passada apresentei 3 roteiros de 1 dia para quem vai ficar no Porto. Mas, se você dispõe de mais 3 dias na cidade, acrescento mais outros roteiros bem interessantes. 

Antes, lembro que para os roteiros da semana passada e os a seguir você não precisará de automóvel. As cidades de Portugal, de uma maneira geral, são ótimas para se caminhar e serem apreciadas desta forma. Esqueça o carro, ele atrapalha, os estacionamentos são caros, aliás uma das poucas coisas caras em Portugal, porque prefeituras e particulares descobriram uma forma de arrecadar mais uma dinheiro de nossos bolsos.

A SEGUIR, OS 3 ROTEIROS. 

1. Este é o meu preferido e de minha mulher. Ele é um roteiro bom para quem gosta de correr e caminhar. Saia da Casa da Música (metrô do mesmo nome) e desça pela Avenida da Boavista em direção ao mar. É uma longa e suave descida, quase imperceptível. Construções antigas e modernas se misturam ali, inclusive antigos palacetes. E a brisa que sopra do mar torna a caminhada muito agradável. Após caminhar uns 3 km, você verá a sua esquerda um chafariz de arquitetura moderna em um cruzamento com a Avenida Marechal Gomes da Costa. Entre na avenida pela sua calçada da esquerda e 3 quarteirões depois, encontra-se a entrada do Parque da Fundação de Serralves. Além do maravilhoso parque, com jardins exuberantes, lá se encontra o Museu de Arte Contemporânea da fundação. Dias antes deste passeio, dê uma olhada no site da fundação e confira se acontece algum evento ou exposição. Se interessar, compre com antecedência, pois no local as filas par as entradas são imensas quando ocorrem as exposições no museu. Ano passado, ocorreu uma do pintor Miró, que foi prorrogada por uma vez, e mesmo assim, era impossível de se conseguir entradas (e ainda não era verão). Passeie nos jardins e no parque, tire muitas fotos. Saindo do parque, retorne a Av. da Boavista e continue a caminhada em direção ao mar. Lembro que neste caminho existem numerosos cafés e bares. Dê uma parada em algum deles, e café e pastel de natas são obrigação nestas caminhadas. Caminhando pela direita da avenida, você chegará na esquina da Av. do Parque. Aí, a decisão será sua. Se quer ver logo o mar, siga pela Av. da Boavista. Se não, entre no Parque da Cidade. Espaço maravilhoso, bom para se correr, tem banheiros, bebedouros e local lindo. No verão, ali ocorre um mega festival de música, com artistas do mundo inteiro e público idem. O parque tem uma saída em frente à praia, e você deverá caminhar para a direita, o mesmo devendo fazer quem optou por não entrar no Parque da cidade. Ao caminhar para a direita, você estará indo em direção a Matozinhos, uma autarquia (município) colado ao Porto. Muitas coisas para se ver. A escultura da Anêmona Gigante, da artista plástica Janet Echelmen (praça de São Salvador), a escultura em homenagem aos pescadores mortos em um naufrágio em 1947 (impressionante, mostrando as mulheres e filhos dos 152 mortos no naufrágio) e o forte do Castelo do Queijo. E por fi m, as delicias dos frutos do mar. Muitos restaurantes, principalmente na Av. Serpa Pinto e Rua Heróis de França. Todos são muito bons, numa concorrência muito saudável. 

2. Outro passeio a beira mar é sair da esquina da Rua D. Pedro V com Rua do Ouro. Sugiro chegar neste local de táxi, dependendo de onde você estiver. E caminhe pela Rua do Ouro em direção a Foz do Rio Douro. Você estará caminhando a beira do rio, com muitos jardins. Na foz existe o Farol de Felgueiras e o Jardim do Passeio Alegre. Após este pedaço, já estamos em frente ao Atlântico, na Avenida do Brasil, e depois na Avenida de Montevidéo. Neste pedaço, tem-se a sensação de estar caminhando no Promenade des Anglais, de Nice, com a mesma arquitetura do início do século XX. Aliás, este tipo de arquitetura  e a de art nouveau são muito comuns no Porto. Neste trajeto é realizada a tradicional corrida de São João, padroeiro da cidade. E no fim da Av. de Montevidéo, chega-se ao ponto onde a Av. da Boavista encontra o mar, local descrito no trajeto anterior. 

3. Esse é um passeio fora da cidade do Porto. A proposta é subir o Rio Douro, de barco, e retornar de comboios (trem) ou autocarros (ônibus). São diversas as empresas que oferecem este passeio, com propostas variadas. Escolha a que mais lhe apetece e a que seu bolso agradece. Na estação de metrô de Trindade e em vários pontos da cidade existem quiosques e agências de viagens que oferecem os pacotes. Eu recomendo os passeios que conduzem os turistas até a cidade de Peso da Régua, a cidade onde realmente é feito o vinho do Porto. Muitas são as vinícolas que produzem este tipo de vinho na cidade e arredores. O vale do Rio Douro é uma das coisas mais impressionantes que já vi. As encostas íngremes e as vinhas plantadas em terraços são uma característica da região. Neste passeio, o barco se utiliza de diversas eclusas que existem nas barragens construídas para controlar as cheias de fins de inverno que usualmente ocorrem no rio. As cheias antes das construções das barragens eram catastróficas. Em Peso da Régua, vê-se nas portas de algumas casas as marcas que os moradores fizeram indicando a altura das águas nas cheias dos anos 60, principalmente. São marcações feitas a mais de 20 metros de altura do nível normal do Rio, duas ruas acima da avenida da margem do rio. As cheias continuam a ocorrer, com menos devastações. Quem tiver curiosidade de ver, entre no Youtube e são inúmeros filmes amadores e documentários sobre o tema. E outro ponto a se apreciar nesta viagem são as inúmeras pontes que cruzam sobre o Douro, muitas delas verdadeiras obras de arte da engenharia portuguesa. 

Semana que vem, vamos a Lisboa? Até lá. 

*Consultor de empresas