Joaquim Barbosa, o capitão do mato da elite do atraso

Joaquim Barbosa provavelmente terá grande surpresa se insistir em sua candidatura presidencial. Capturado pela elite do atraso para ser o representante dos rentistas e dos banqueiros, o ex-ministro do STF nomeado por Lula, filho das classes populares, será duramente rejeitado por seus irmãos de origem popular, que logo o identificarão como o neocapitão do mato da escravidão dos tempos modernos que marca nosso Brasil. 

Ao se colocar como o antípoda do patrimonialismo estatal, Joaquim será elevado à condição de herói da classe média e da elite do atraso, que é quem verdadeiramente comanda este país.

Criando uma grande cilada para o povo brasileiro, justificando o atraso do país pela corrupção estatal e ocultando os verdadeiros donos do poder e os verdadeiros responsáveis pelo atraso brasileiro: uma elite apátrida, que há muito não reside no Brasil e que corrompe o Estado para manter seus privilégios e submeter toda uma nação ao subdesenvolvimento.

Desde Sérgio Buarque de Holanda, passando por Raimundo Faoro e autores menores como Roberto da Mata e Fernando Henrique Cardoso, construiu-se uma narrativa social para justificar a dominação e a dependência econômica brasileira em relação às nações industrializadas. O homem cordial de Sérgio Buarque de Holanda, emotivo, frágil e dado à corrupção, em contraposição ao padrão ético da formação protestante anglo-saxão, deu margem para a criação de todo tipo de bobagem colocada como teoria acadêmica que vai do “jeitinho brasileiro” de da Mata à “teoria da dependência” de FHC, tudo para justificar o saque de nossas riquezas naturais e a superexploração do trabalho em nosso país e no nosso continente. 

Diante do ocaso dos tucanos Aécio Neves e do ex-governador de São Paulo Geraldo Alkimin, envolvidos até o talo em escândalos de corrupção, surge agora Joaquim Barbosa, o novo paladino da moralidade, para ser o digno representante das teses multiculturalistas racistas que tentam justificar o atraso brasileiro pela ótica míope do patrimonialismo estatal. 

Entretanto não será surpresa que essa fórmula muito bem elaborada pela elite brasileira e repercutida por todos os cantos brasileiros pelo seu verdadeiro partido político, que no Brasil alcançou o status de TV estatal, que é a Rede Globo, será duramente rejeitada pelas classes populares, o povão que não se deixa mais levar pelas teses elaboradas pela academia burguesa e pela grande mídia, e, ao arrepio de nossa elite e da nossa ludibriada classe média, será, nas próximas eleições, a grande responsavel pelo restabelecimento da democracia da soberania nacional e da justiça social.

* Ex-ministro do Trabalho