Nelson Rodrigues e o Recife 

Nos textos, nas telas, e nos palcos, Nelson Rodrigues foi mestre. O pernambucano, que no próximo dia 23 de agosto de 2012 completaria um século de vida, ainda hoje, é considerado o maior dramaturgo que o Brasil pode conhecer. Escreveu verdadeiras obras de arte, tais como “Perdoa-me por me traíres”, “Beijo no Asfalto”, e a peça “Vestido de Noiva”, um marco do teatro brasileiro. Em novembro deste ano, Nelson será o grande homenageado da 8ª edição da Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto) que, este ano, traz o tema “A Vida é um espetáculo”.

Em entrevista concedida ao jornalista Geneton Moraes Neto, o escritor revelou gostar do Recife “pra burro”, onde esteve, pela última vez, em 1929. O seu medo de voar de avião impedia que ele voltasse à sua terra natal. Mas, ainda assim, a valorizava, e dela lembrava, mesmo que de longe. No mesmo relato, Nelson Rodrigues ressaltou o gosto inesquecível de pitanga e caju que teve a sua infância na capital pernambucana. “Só sei que a pitanga ardida ou o caju amargoso foi a minha primeira relação com o universo. Ali eu começava a existir”, disse. 

No ano do centenário do nascimento do jornalista, era apaixonado, também, por futebol. Explorava e escrevia crônicas sobre o tema. Chocava alguns com declarações polêmicas, até lhe ser dada a justa razão. Enalteceu a nudez sem torná-la vulgar e foi reacionário na política. Assim, tornou-se um homem, escritor, dramaturgo, jornalista, pernambucano, eterno. Mais contemporâneos do que nunca, os textos e citações de Nelson Rodrigues divagam, até os dias atuais, entre o cenário cruel, épico e, sobretudo, moderno. 

Apresentou-nos a tediosa rotina a partir de outro ponto de vista, muito mais interessante e reflexivo. “Escrever, para mim, muito mais do que uma decisão profissional, é um destino”, disse, ainda na entrevista a Geneton. Nelson amava, sobretudo, amar o que fazia, fazendo-o com zelo e dedicação, e adicionando ao seu trabalho, sempre, uma dose certeira de humor. Um homem que, certamente, tantas outras gerações também terão o prazer e a oportunidade de conhecer. A vida e a obra de Nelson são patrimônios memoráveis e irrefutáveis.