Unidos pelo Mediterrâneo

“Vivemos absurdamente separados, esquecidos do traço de união entre Oriente e Ocidente, promovido pelo mediterrâneo, porto de chegada e de partida. [...] Hoje estamos do mesmo lado. E seguimos as metáforas deste Mar. Tudo cabe dentro dele”. Com essas palavras, o escritor Marco Lucchesi, em carta escrita ao poeta turco Ataol Behramoglu, sintetizou a preocupação da humanidade com esses dois berços que, juntos, enfrentam dificuldades e renascem com a força dessa união.

 No escrito, Lucchesi faz questionamentos que, certamente, afligem a todos nós: “Quem poderá perdoar em definitivo a nossa dívida? Haverá dívida? Perdão?”. E, assim, o poeta brasileiro nos apresenta, em uma carta conduzida em um tom cordial, como em uma conversa de dois caros amigos, continentes que, separados por uma imensidão marítima, começam a observar a emergente necessidade de nos unirmos.

 Como bem disse Lucchesi, “somos filhos do Mediterrâneo”, portanto, é nosso dever andarmos de mãos atadas, tanto em crises, quanto nas bonanças que possamos vir a usufruir futuramente. A preocupação com esses dois gigantes, unidos por uma fatia de água, vai além das questões políticas intensamente abordadas pela mídia. Engloba, ainda, e principalmente, a temática social, ou seja, civis, seres humanos que são diretamente atingidos por toda e qualquer crise. São eles os verdadeiros defensores da pátria amada. E eles também os que sofrem com as crises financeiras, culturais e religiosas que abatem os seus países.

 Em um mundo marcado por tantas guerras, que os homens insistem em perdurar, poucos se dão conta da importância do diálogo em detrimento das lutas armadas. A crise na Grécia, as rebeliões na Síria, o sofrimento da Itália. Tudo isso reflete na pele de quem faz parte dessas nações, quando, na prática, o diálogo, a conversa, poderia resolver várias questões de maneira mais amena, menos agressiva. E essa é uma questão que será amplamente debatida durante a VII Fliporto, cujo tema será “Uma viagem ao Oriente”. E, em meio a esta importante reflexão, Marco Lucchesi idealizou como seria a relação do Ocidente com o Oriente: “Um mar sem passaportes e alfândegas, livre de naufrágios e de mortes. Mais que uma área de livre comércio, desejo sobretudo um fluxo intercultural permanente em busca de diálogo”.