Brasil dá exemplo de tolerância cultural

O Brasil é um país marcado pela miscigenação de etnias e por uma melhor convivência entre religiões. Assim, damos uma lição de tolerância cultural e religiosa ao mundo. Recentemente, atentados, frutos da intolerância, em Oslo e na Ilha de Utoya, na Noruega, chocaram a humanidade.

 A motivação dos crimes teria cunho racista e islamofóbico, visto que Anders Behring Breivik, o autor dos atentados, alega, em seu manifesto de 1,5 mil páginas, ter sido um dos fundadores da organização da extrema direita Cavaleiros Templários, de inspiração fundamentalista “cristã”, cujo objetivo seria lançar um conflito na Europa contra “marxistas” e “islâmicos”.  Infelizmente, o que parece ser um caso isolado em sua ação, tem campo fértil de acolhida em suas ideias numa Europa em crise econômica e de espírito radicalizado contra os imigrantes.

 No texto, o fundamentalista defende que os conservadores “precisam tomar o poder político e militar por meio de uma luta armada para evitar que prevaleça um modelo de bastardização contínua, muito similar ao brasileiro, atribuído por ele à mistura de raças”. Além disso, Breivik tentou argumentar a sua luta contra a miscigenação brasileira ao afirmar que “o Brasil estabeleceu-se firmemente como um país de segundo mundo com um grau extremamente baixo de coesão social. Os resultados disso são evidentes e manifestam-se pelo elevado grau de corrupção, pela falta de produtividade e por um eterno conflito entre diversas ‘culturas’ concorrentes”.

 Com isso, ele reafirma o que o mundo inteiro já consegue enxergar: somos um país multicultural e multirracial para a nossa felicidade. A tolerância, portanto, faz parte do nosso cotidiano. Devemos perpetuar a prática do diálogo entre diferentes culturas e estender esse legado para o resto do mundo. Somos o paradigma que o mundo precisa para o século XXI. No meu livro, Diálogos no mundo contemporâneo, abordei esse tema. 

 Povos do mundo inteiro precisam refletir e enxergar o diálogo e a tolerância como saída para as guerras diárias a que somos submetidos atualmente. A pós-modernidade trouxe-nos identidades híbridas e um mundo inteiro heterogêneo e, portanto, é urgente a hora de aprendermos a conviver e respeitar o diferente, o estrangeiro. E é aqui, no Brasil, que vive o homem novo e pronto para assimilar e semear novas culturas. Compreender, escutar, conviver, entender, refletir, aceitar e assimilar são verbos que precisam, cada vez mais, incorporar o dicionário do nosso dia-a-dia, em um mundo que já vive em rede, no mundo digital.

 Em uma carta aberta ao responsável pela chacina na Noruega, um jovem, sobrevivente da matança, escreveu: "Não respondemos ao mal com o mal como você queria. Combatemos o mal com o bem. E venceremos".