Eduardo Galeano e o mundo hispanoamericano: diálogos

O diálogo, mais uma vez, se solidifica como uma solução para unir países e continentes geograficamente distantes. Dessa vez, refiro-me a dois grandes artistas latino-americanos, unidos pela arte. De um lado, a literatura do uruguaio Eduardo Galeano, que esteve presente na Fliporto de 2009, autor de mais de 40 obras e, entre elas, o clássico As veias abertas da América Latina. Do outro, a bela arte cravada nas xilogravuras do nosso conterrâneo J. Borges, um dos maiores cordelistas vivos da atualidade.

Juntos, Galeano e J. Borges representam a real concretização dos diálogos culturais na América Latina. Diálogos imprescindíveis para uma cultura de paz, para a disseminação da boa arte, que não deve se limitar ao regional e, sim, se tornar um patrimônio mundial, tema este que, no atual cenário de constantes guerras, abordei no meu livro Diálogos no Mundo Contemporâneo.

Entre as várias obras escritas pelo uruguaio, destaque para o livro Palavras andantes, composto por passagens que se dividem entre o poético e o folclórico. E tudo isso somado às gravuras de J. Borges, que narram a história junto com o escritor. Eis o verdadeiro diálogo travado entre culturas distintas, entre artes, que se unem e acoplam talentos artísticos em prol do crescimento da arte mundial e a favor, também, da valorização do humano, muito além de questões diplomáticas ou fronteiras territoriais.

Além da ilustração de J. Borges, no conteúdo e na capa da obra, o escritor mergulhou no mundo do cordel e nele se inspirou para compor muitos dos contos inseridos no livro. O que fica visível em alguns títulos, como A História do regresso do arcanjo, História do superdotado, suas façanhas e seu destino espantoso e a História do lagarto que tinha o costume de jantar suas mulheres.

Esta união, que vai além das fronteiras territoriais, deve nos trazer uma lição. Ensinar-nos que é preciso coexistir através de diálogos, em contraposição às guerras armadas, aos extremismos cristãos ou islâmicos. Precisamos atentar que somos tantos e, ao mesmo tempo, uma só unidade e, por isso, é preciso aprender, definitivamente, a compartilhar as diferenças e criar convergências.