No labirinto do labirinto

Foi uma sensação horrorosa: o quarto virou de cabeça para baixo e tive a nítida impressão de que cairia junto com a alta cama no vazio total. Felizmente foi rápida a vertigem. Acordei para o domingo cinzento carregando um achaque que me acompanharia pelo resto do dia, juntamente com a sensação de enjôo. Labirintite. Vertigo na língua inglesa, como o filme de Hitchcok.

Medicada, venho melhorando, mas ainda longe de estar 100%. Não dá para melhorar de vertigem, enjôo e aquela sensação de estar perdida num labirinto, quando a gente acorda tonta e ainda tem que entubar mais uma sessão de patifaria, que nos é empurrada goela abaixo, pela turma da estrela vermelha. Agora, temos que embalar o bebê da Rosemary, que já andou sendo embalado, aliás, em colos bem mais proeminentes – e, sobretudo, mais lucrativos – do que os braços dos cidadãos de bem desse nosso Brasil. E ainda a nova versão dos Irmãos Metralha, os Irmãos Vieira, que fraternalmente dividiam o bolo da pilhagem do Estado.

É impressionante a quantidade de vigaristas  que pipocam por aqui, assim sem mais aquela, de repente, num domingo de vertigens. Justamente quando estava, como todos os brasileiros decentes, feliz com o belo desempenho do nosso STF no julgamento do mensalão.

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Os solidários amigos virtuais, que lêem meu queixume, tratam de avisar que labirintite nasce do estresse. Acredito piamente. Ao contrário das Rosemarys da vida que tudo têm a um estalar de dedos – de cirurgia de ouvido a cruzeiro de dupla sertaneja (!!!!!) – tenho que rebolar pra chegar ao final do mês com algum em caixa, depois de quitar meus compromissos, aí incluídos os escorchantes impostos sobre tudo: serviços, renda, luz, circulação de mercadorias, etc etc etc. É pra dar tonteira mesmo em quem não é Rosemary ou irmã Vieira. Pensando bem, bom mesmo é ser ex-marido da Rosemary. Até diploma pra ele a mulher conseguiu. O moço não podia fazer parte do Conselho da BB Seguros sem o segundo grau completo? Sem problemas. O companheiro mais próximo cuidou do assunto e o moço foi nomeado. Exoneraram o ex, exoneraram a madame, mas alguém tem dúvidas de que ambos, ainda que divorciados, vão continuar no maior vidão????  Afinal, quem tem, tem medo. Já imaginaram se a madame abre a boca?

Pioro das vertigens. Mas penso que talvez seja  melhor não conseguir sair do labirinto. A realidade pode ser muito pior.

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Muito triste perder o Joelmir Beting. Nunca o conheci pessoalmente, mas admirava sua competência, sua retidão e decência, sua clareza nos comentários. Ele vai fazer muita falta.

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Duas lindas mulheres idosas enfeitaram a nossa semana: Sophia Loren e Jane Fonda. Lindas e retocadas com perfeição. Exemplos a serem seguidos no país das botocadas – das muitas mulheres que não sabem envelhecer com graça, charme e beleza.