Punta del Este: jogo feito, banca forte

Nada como uma viagem rápida para revigorar corpo e alma. Depois de duas semanas de perdas e preocupações sérias – em uma semana fui ao cemitério por três vezes enterrar pessoas queridas e uma grande amiga sofreu cirurgia muito grave – recebo o convite para quatro dias em Punta del Este e, melhor!, no estreladíssimo Conrad Hotel. Sob encomenda: estava sempre planejando ir a Punta para ficar no Conrad, mas acabava adiando, deixando pra depois, de modo que amei o convite de Lúcia Paes de Barros, uma querida que já não via há alguns anos. 

A viagem, especificamente neste momento, foi um presentão. Quase como quebrar a banca do cassino, coisa que lamento informar, não apenas não consegui, como ainda perdi um dinheirinho. Perderia tudo de novo só pelo prazer de conhecer a cidade e o hotel, que, por si só, já é uma cidade.

Punta del Este é tão limpa, tão limpa, que quase dá pra lamber o chão. Só isso já mata de inveja quem vive numa cidade porca como o nosso Rio, onde não há campanha de conscientização que dê jeito. É tudo tão limpo que, quem fuma, nem cogita em jogar guimbas na rua, como soi de acontecer aqui. Não fomos à praia – estava frio, tipo 8, 10 graus – mas imagino que ninguém pense em largar latas de refrigerantes ou pauzinho de picolé na areia.

Diferentemente de Búzios e outros balneários nossos, Punta vira quase uma cidade-fantasma fora da temporada. As lindas casas e os fortunosos apartamentos da orla ( há coberturas de US$ 7 milhões) ficam fechados, muitos restaurantes e  lojas cerram as portas até o verão, mas, no Conrad, os jogadores não querem saber de estação. Estão sempre voando para as roletas, o bacará, o pôquer, seja verão ou inverno – e, agora, é que o movimento vai aumentar mesmo: o hotel fechou com a Gol um voo direto Rio-Punta del Este, justamente o que fizemos nessa viagem. Acabou a baldeação. Quem for do pano verde, sai direto do avião para o cassino. E mesmo que não for. Afinal, o hotel tem muitos outros atrativos. Fiz uma massagem no spa daquelas que terminam e a gente quer mais. Relax total – e nunca pensei que estivesse precisando tanto de um.

Fiquei muito impressionada com os salões exclusivos  para os jogadores milliardaires, cujas apostas podem chegar ao milhão de dólares. Contou-nos a RP do Conrad, a supereficiente María Fernández, que são eles que sustentam o hotel. É de se imaginar mesmo. Não dá pra misturar esses vips com a plebe rude que tenta a sorte jogando seus trocadinhos nas máquinas, como eu fiz. Eles precisam de privacidade.

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Fomos a uma queijaria, a uma finca de azeites e à bodega dos vinhos. Vimos o mar e a esplendorosa serra com paisagem tão diferente da nossa aqui no Rio, mas tão semelhante à serra gaúcha. No city tour, vimos a casa que foi de Juan Perón, com 17 chaminés, como nos informou o guia. Mais um exagero típico dos ditadores sulamericanos, né, não? O que será que Perón e Evita queimavam tanto?

O pôr-do-sol em Casapueblo, o lindo ateliê do mais conceituado artista plástico do país, Carlos Paez Vilaró. Que deslumbramento!  A construção mediterrânea debruçada sobre o mar oferece em seu terraço a visão do crepúsculo – bela de tirar o fôlego. Quando chega a hora, o sistema de som bota pra tocar um lindo poema em homenagem ao sol na voz do dono da casa. Impressionante.

Punta del Este é um charme, vale a visita. E o Conrad é realmente o cinco estrelas que anuncia ser.

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Ligo a televisão no quarto do hotel, domingo antes do jantar, e dou com o quê?  Com o intrépido Faustão comandando uma mesa-redonda sobre a Dança dos Famosos. Não há mais fronteiras para a baixaria.

Ao fim e ao cabo, constatei lá o que já tinha constatado cá: tá cheio de Carminhas por aí. Nos cabelos louros de chapinha, nos modelitos com muito dourado e naquele jeitão pouco fino de ser.  A Avenida Brasil, quem diria,  está atravessando o mundo. Ô, ô, ô!!!

 

P.S. Fiz as fotos para ilustrar a crônica. Gostaram da novidade?