Vamos calçar as sandálias da humildade? 

Um querido amigo, tão chocado quanto os demais brasileiros decentes e com vergonha na cara, desabafou comigo por e-mail: “Foi só a cachoeira de lama bater no Palácio do Planalto que os campeões da moralidade tomaram providências: chamaram o assessor implicado, conversaram, ele jurou que não era bem assim, chorou e...pronto: ficou no cargo, mesmo que Dona Dilma, ao viajar, tenha mandado demití-lo. Roubalheira, fica claro para nosotros, é coisa da Oposição. Apesar de uma porção de apesares. A propósito: é importante zelar pela saúde do Cachoeira. Ele tem muita coisa para dizer e vai envolver, ainda, muita gente bem situada, de um lado e do outro.”

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Amigo inteligente é outra coisa. Já começa ajudando neste parto semanal que é escrever a crônica – ainda mais em dia que estou com a garganta irritada, febril, com mais um desses trecos que, à faute de mieux, os médicos vão logo diagnosticando como virose.

Será que o Cachoeira tem virose? Não deve ter. Já comprou alguém na prisão para evitar qualquer possível contratempo à sua brilhante performance de corruptor-mor do Planalto Central do país. Problemas de saúde inclusive.

Quanta patifaria!!! Quanta cara de pau!!!

E Dona Ideli? Fica complicado entender a serventia de 26 lanchas para um ministério que não apenas não pesca, com mal nada, né, não? No entanto, consegue a proeza de comprar 26 lanchas – sabe lá Deus pra quê. Quero ver qual é a explicação que vem por aí. Escrevo na quinta – se o governo fosse meu, Dona Ideli já estaria remando no Lago Paranoá um daqueles botes salva-vidas que sempre aparecem nos naufrágios que vemos no cinema. Afinal, vamos combinar, que Sua Excelência já estaria a pique, afogadona, sem direito a bóia, se este fosse efetivamente um país sério.

Ma não é. E se, como dizem, além de chefe da Casa Civil,  ela faz parte da mesa do biriba presidencial, pode ser que escape da fúria da mais popular presidente da História do país. Te mete!

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Sou uma fã da Lilia Cabral. É uma senhora atriz e, nas vezes em que a encontrei socialmente, uma pessoa gentil e educada. Vai daí, fiquei chocada com o relato de uma “amiga” do Face. Abro aspas para ela, que se chama Carla.

“Bom dia Ana e Feliz Páscoa. Hoje gostaria de relatar a decepção que tive ao encontrar ontem (sábado, 7)  a Lilia Cabral no Shopping da Gávea. Digo decepção, simplesmente,  porque eu  havia assistido no domingo passado sua premiação como melhor atriz pelo papel de Griselda ( Pereirão) no Faustão, quando ela fez discurso comovente com simpatia e simplicidade. Enfim, ontem eu estava com uma amiga e suas filhas gêmeas de 5 anos. As meninas, deslumbradas ao esbarrar com ela no corredor do shopping, mencionaram o Pereirão. Afastando-se num passo rápido, ela fingiu que não ouviu. Eu e minha amiga chamamos em voz alta pelo Pereirão, para que ela desse uma atenção às pequenas. Lilia simplesmente parou,  botou as mãos na cintura, e nos fulminou com um olhar daqueles que matam ou fazem a gente se sentir uma formiga.  Na mesma hora , espontaneamente,  eu disse: desculpa , você não gostou???/  Ela então, na maior rispidez, disse que ela se chama Lilia e não Pereirão, que de todos os lugares que anda só no Rio as pessoas se dão essa “intimidade”. Sem parar nem para respirar, seguiu com a espinafração dando o exemplo de uma menina que acompanhava a novela em Boston e ao encontrá-la no Rio,  acompanhada da avó , teve a mesma reação.  Só que a avó  na mesma hora corrigiu a menina dizendo que ela se chamava Lilia. Perplexa, eu enfim tomei coragem e perguntei se era tão ofensivo a ela ser abordada como Pereirão, personagem que a fez ganhar o prêmio.... Ela,  sem graça, continuou a repetir e disse para eu me colocar no lugar dela , sendo uma atriz. Eu respondi que JAMAIS poderia me colocar no lugar dela , pois eu imaginava o quanto uma atriz , pessoa pública , deveria ser assediada , e para encerrar me despedi: Tchau, Lilia, e mais uma vez desculpa.  As crianças ficaram decepcionadas, claro, e quem estava em volta, horrorizado”.

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Que coisa, hein! Ainda bem que foi a personagem a capa de “Veja”, que, ao seu melhor estilo, elevou Pereirão a padrão ético, a exemplo a ser seguido por todos os brasileiros. Fora das capas e das novelas até segunda ordem, Lilia Cabral, a grande atriz que deu vida ao Pereirão das Bocadas, está urgentemente precisando calçar as sandálias da humildade distribuídas pelo pessoal da outra emissora.