Rio vai ganhar projeto de lei sobre gás natural 

CEG comprará gás produzido em aterros sanitários

O presidente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, Paulo Mello vai assinar o projeto de lei sobre a Política Estadual de Gás Natural Renovável. O anúncio foi feito durante o Seminário Rio Capital da Energia – Gás Natural, realizado na sede da Fecomércio, Centro do Rio. 

O projeto, enviado pelo governador Sérgio Cabral, prevê incentivos à geração de combustível a partir de resíduos orgânicos: 

 “Temos uma política de renovação dos aterros sanitários, e também de acabar com os lixões. Esses aterros terão condição de produzir gás, e a CEG irá comprar esse gás de acordo com os padrões da empresa”, disse o presidente da Alerj, que brincou durante a cerimônia de abertura do seminário: 

"Eu até dispensaria o aval do governador", comentou, provocando risos na plateia.

Segundo o Secretário de Desenvolvimento econômico,  Energia , Indústria e Serviços do governo do Estado, Júlio Bueno, o gás natural desempenhará um importante papel no cenário energético mundial, e pediu cuidado com os rumos da política energética do Brasil: 

“Nunca tivemos tantas condições de crescer, e acabamos tropeçando em nossas próprias pernas”, observou Bueno, que criticou ainda o atual mercado: 

“Vivemos no pior dos mundos: um monopólio com preço livre”.

Os preços e os prazos adequados a viabilizar a eficiente produção e transporte do Gás Natural Renovável serão regulados pela Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico(Agenersa).

CEG comprará gás 

 Dos sete milhões de m³ de gás distribuídos pela Companhia Estadual de Gás, 3 mil e 500 serão comprados dos aterros sanitários distribuídos pelo estado, cerca de 5 % do volume de gás convencional a ser entregue para o mercado.

O aterro de Seropédica deve ser um dos primeiros a assinar para participar do convênio.  O presidente da Companhia, Bruno Armbrust, se esquivou quando perguntado sobre qual seria o impacto da medida no bolso do consumidor: 

 “Existem várias experiências no mundo, e eu não tenho como precisar. A secretaria de Energia vai avaliar. 5% é uma parcela pequena, porém mais à frente isso será avaliado”, comentou Armbrust. 

Um dos aterros, localizado no antigo lixão de Gramacho, entretanto, não está contabilizado pelo governo do Rio. Sua capacidade de até 200 mil m³ diários de produção será destinada à Petrobras.

Armbrust diz ainda que os investimentos não serão pesados para a construção dessas estruturas, e pediu calma com relação aos projetos desenvolvidos para a produção de gás natural nos aterros da cidade: 

"Aterros próximos do núcleo urbano serão investimentos pequenos. Esses empreendimentos vão ser levados ao estado, para avaliação da viabilidade técnica e econômica.  Não existe nenhum projeto concreto disso ainda. Mas é viável", finalizou o presidente da Companhia.