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Missa e batuque pela volta do bonde

Moradores de Santa Teresa cobram retorno da linha original

Jornal do Brasil SÔNIA APOLINÁRIO, sonia.apolinario@jb.com.br

Com um cortejo carnavalesco, moradores de Santa Teresa lembraram, ontem, os sete anos do acidente com o bonde número 10 que matou sete passageiros. O grupo, de cerca de 50 pessoas, foi do Largo dos Guimarães até o Largo das Neves. Os moradores pleiteiam a volta do bonde a esse percurso de 1,5 quilômetro, interrompido desde o acidente. Para isso, foi lançado um abaixo-assinado, que circulará pelo bairro, pelos próximos dias.

Macaque in the trees
Paulo Saad, presidente da Amast
O “aniversário” do acidente foi batizado de Marco 27. No dia 27 de agosto de 2011, o bonde 10 sofreu uma pane nos freios e descarrilou. Além de provocar a morte dos passageiros, deixou outras 50 pessoas feridas. Em memória às vítimas, pela manhã, foi rezada uma missa na igreja anglicana do bairro, que contou com a participação de 300 pessoas, segundo informou Paulo Saad, presidente da Associação dos Moradores e Amigos de Santa Teresa (Amast).

Ele contou que, desde o acidente, três bondes circulam das 8h às 17h30, apenas no trecho entre o Largo da Carioca, no Centro, e a Praça Odylo Costa Neto, no Largo dos Guimarães. A tarifa custa R$ 20. “O morador não usa o bonde porque o trecho em operação é muito pequeno. Além disso, o horário é muito restrito. Atualmente, só serve mesmo para o turismo, o que significa um desvio de finalidade. E até o turista fica decepcionado, porque ele não consegue conhecer o bairro, porque o percurso é pequeno”, afirmou Saad.

A partir do acidente, três novos bondes entraram em circulação. Os sete veículos originais encontram-se em uma oficina. Segundo o presidente da Amast, os antigos são mais adequados para se movimentar pelas ladeiras do bairro e conseguem fazer curvas mais fechadas, ao contrário dos atuais. Os novos bondes exigem instalação de novos trilhos.

As obras de expansão do sistema, iniciadas em 2013, estão paradas há dois anos. O sistema de Bondes de Santa Teresa é operado pela Central Logística, empresa vinculada à Secretaria de Estado de Transportes.

O morador não usa porque o trecho é muito pequeno (...) e o turista fica decepcionado, porque não consegue conhecer o bairro“O bonde novo é mais duro, desconfortável. Só faz curva larga. Os nossos bondes originais cantam. Os novos são calados, às vezes, no máximo, assopram”, comentou Saad. “Colocaram a culpa do acidente no fato de o bonde ser antigo. Não admitem que foi falta de manutenção, porque isso seria admitir que eles erraram”, argumentou.

Para que os bondes atendam os moradores de Santa Teresa, a Amast estima serem necessários 21 veículos rodando pelo bairro, com intervalos de cinco minutos, das 5h30 às 24h, com tarifa regular e tarifa social. Além do trecho entre o Largo dos Guimarães e o Largo das Neves, o sistema para o bairro prevê os trechos entre o Largo dos Guimarães até Dois Irmãos e entre Dois Irmãos e Silvestre.

Cortejo

Na hora do cortejo, o domingo frio e chuvoso foi aquecido pelos percurssionistas do bloco Enterra na Quarta. Uma réplica em menor escala de um bonde antigo foi usada como alegoria. Nos rostos, alguns bondinhos se transformaram em máscaras. “Faremos todos os anos este evento. As vítimas merecem”, afirmou Saad.



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