Jornal do Brasil

Rio

Saída é iniciativa privada, defende Marcelo Trindade

Candidato do Novo no Rio defende privatizações no Estado, começando pela Cedae

Jornal do Brasil SÔNIA APOLINÁRIO, sonia.apolinario@jb.com.br

Advogado, ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Marcelo Trindade (Partido Novo) é o candidato ao governo do Estado do Rio de Janeiro com maior patrimônio declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE): R$ 82.956.391,33. É a primeira eleição de que participa. Ele aposta na redução da máquina pública e nas privatizações como estratégia para a retomada do crescimento econômico do estado. A entrevista para o JB foi feita na Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV), no Flamengo, na Zona Sul do Rio, onde, antes, participara de uma reunião. Ao ser perguntado sobre uma sugestão de passeio pelo estado, ele revela seu encanto pela serra fluminense. “Tenho casa em Itaipava. Amo aquela região do Rio. Adoro andar de bicicleta por lá”, conta.

No Rio, o senhor é o candidato com maior patrimônio declarado. Que retorno teve disso?

Em geral, positivo. Nosso partido tem gente de todas as faixas sociais e pretende governar para todas as classes sociais, principalmente, para os mais pobres. Toda a nossa plataforma liberal é para trazer mais recursos para quem mais precisa. Sob o pretexto que precisamos de um estado grande para atender a população, a gente suga os recursos que são cobrados de impostos da população e não deixa que esses recursos retornem, porque são retidos em uma máquina estatal gigantesca. O discurso liberal deveria ser considerado de esquerda e não de direita, porque é mais destinado a fazer com que os recursos cheguem à população do que o discurso do estado grande.

Como empresário, investiria na empresa Estado do Rio de Janeiro?

É claro. Empresas falidas é onde você acha os melhores negócios para comprar, porque o preço é baixo e o retorno é alto. O Rio é o segundo estado da federação em arrecadação e consumo. Tem que ser o líder do país em turismo e cultura, como sempre foi. Líder em criação de riqueza, tecnologia, inovação, o futuro da economia do mundo. Porém, precisa resolver a questão da segurança, porque nada acontecerá no Rio de Janeiro com esses níveis de violência. Tivemos dez comandantes da PM em dez anos. É preciso dar estabilidade aos comandos. O governador tem que dar mandato, dele governador, para essas pessoas, dizendo: ‘Você está comigo se você cumprir essas metas que estamos divulgando publicamente para a população’. É preciso reduzir a taxa de letalidade e ter uma polícia civil que investigue muito mais, com tecnologia. Os políticos só querem comprar carros adesivados para tirar fotografia, antes da eleição.

E a verba para fazer isso?

Tem grana para tudo. O gabinete de intervenção está fazendo um investimento enorme em segurança. O que precisa é manter o investimento para voltar a crescer. Você tem que escolher onde vai cortar para reduzir a máquina pública e ter dinheiro para a segurança, para educação e saúde. Claro, tudo isso gerido com muito mais eficiência. Com tecnologia na saúde. Com a capacidade de as pessoas acompanharem suas consultas, seus remédios nos seus celulares. Temos um universo de coisas para fazer para a população, que é maltratada por uma péssima gestão. E não é péssima à toa. É na gestão ruim que se ganha mais dinheiro com roubo.

Pretende fazer alguma obra?

É preciso fazer uma revisão nas escolas porque há denúncias de prédios que estão em situação de insegurança para os alunos. Mas, principalmente, é preciso conceder tudo o que se puder conceder para a iniciativa privada.

O que pensa em privatizar?

A Cedae, imediatamente, porque tem um contrato dizendo isso. Temos que dar saneamento para a população. Metade dos municípios está sem saneamento. A Cedae gera R$ 2 bilhões de caixa líquida por ano e só investe R$ 250 milhões. É preciso de R$ 30 bilhões para sanear o Rio todo. Precisa privatizar, conceder a Cedae e, em troca, além de pagar o preço, tem que obrigar a sanear 100% do Rio de Janeiro, durante o período da concessão. As estradas, tem que pegar o poder do estado de concessão e as que já existem e privatizar tudo. E elas podem, sim, competir com as estradas federais. Tem que privatizar a Amaral Peixoto toda. Tem que ter a Via Lagos e Amaral Peixoto competindo. Garanto que o pedágio cai. Eu não vou inagurar nenhuma dessas obras e, por isso, vou fazê-las, porque só quem é de um partido que não quer se eternizar no poder está disposto a fazer obras que não vai inaugurar. As grandes concessões de estradas demoram para fazer, mas vão gerar emprego adoidado.



Recomendadas para você