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País - Eleições 2018

Ciro Gomes defende controle estatal da Petrobras

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São Paulo, 25/08/2018 - Durante a rodada de perguntas de evento com militâncias das redes sociais, na capital paulista, o candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, afirmou que "é provável que o Brasil se torne a maior reserva de petróleo do mundo em pouco tempo", daí a necessidade de apostar em companhias como a Petrobras.

Para o pedetista, é necessário trazer a Petrobras "de volta ao controle estatal efetivo e melhorar a governança", pois a companhia é uma das poucas empresas atreladas ao governo em que há autonomia e potencial de crescimento, assim como a Embraer no setor de aviação.

Agronegócio

Questionado sobre a indústria, Ciro destacou a importância do agronegócio, não como gerador de empregos, mas na posição de liderança na geração de superávit através das exportações. No entanto, o candidato afirmou que há sinais de que o País está perdendo oportunidades de embarcar produtos industrializados ao vender a matéria-prima, algo que está em vias de acontecer no setor sucroenergético.

"A China está procurando o Brasil para comprar cana in natura. O Brasil, ao invés de produzir açúcar e álcool para exportar, está quase na iminência de vender a cana bruta", citou. "Eu e Kátia Abreu queremos criar uma estratégia que concilie os interesses do agronegócio", acrescentou.

Ciro: Por mais gratidão que tenham a Lula, ele está preso

O candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes, disse há pouco que "por mais gratidão que o povo tenha a Lula, ele está preso e condenado", em referência à liderança que o candidato do PT, ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem nas pesquisas de intenção de voto para as eleições deste ano.

Sobre o foco do PT em manter Lula como candidato mesmo nas condições em que o petista se encontra, Ciro afirmou que "não adianta apostas na boa fé do povo".

Questionado sobre a educação, o candidato do PDT destacou que uma de suas principais propostas é o ensino integral em 50% das escolas.

Ciro está em um evento com militâncias das redes sociais e falou a jornalistas na entrada. Em relação ao tema do evento, voltado para Internet e mídias sociais, ele afirmou que um dos caminhos para fugir das "fake news" é desconfiar de tudo que é publicado. A ideia do pedetista também é ampliar o acesso à internet, algo que, segundo ele, já vem sendo trabalhado no Ceará, seu Estado. "Vou lançar o programa Mais Tablets e Menos Armas", enfatizou, que contrapõe a visão de um de seus concorrentes, Jair Bolsonaro (PSL), que fomenta o uso de armamento na área da segurança.

Quanto ao cenário financeiro da população, Ciro destacou que dará um apoio especial aos negativados nos sistemas de proteção de crédito, como SPC, através de um "programa sério" de financiamento.

Ciro Gomes critica PT por tentar criar comoção a Haddad

O candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes, criticou de maneira enfática a estratégia do PT de manter a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Planalto, ciente de que o petista segue preso e condenado pela Operação Lava Jato "O PT sabe que Lula estará impedido e, ainda assim, a lógica deles é criar uma comoção no eleitorado para eleger (Fernando) Haddad. Se isso acontecer, vão eleger um presidente pequeno", afirmou, sobre o vice e eventual substituto de Lula.

Ciro disse que a cúpula do PT "está pouco se lixando para a candidatura à Presidência", pois, segundo o candidato, os petistas querem aproveitar a imagem de Lula para eleger outros cargos pelo Brasil, como para o Senado e a Câmara federal.

O pedetista ainda ressaltou que tem absoluto respeito pela população petista e espera que um dia "a ficha ainda vá cair", de que o PT não está pensando no Brasil nesta eleição.

Ciro Gomes diz que sua tática será falar aos indecisos

A tática do candidato pelo PDT à Presidência, Ciro Gomes, para angariar votos durante a campanha é falar aos indecisos, "a quem não me conhece direito", disse o pedetista há pouco durante evento realizado na capital paulista com a militância das redes sociais. "Não vou falar a quem já está convertido", enfatizou.

Ciro destacou que terá pouco tempo de TV durante o horário obrigatório, por causa das alianças feitas pelo candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, mas isso não será um problema. "Vocês (nas redes sociais) estão me ajudando muito", afirmou. Alckmin é o presidenciável com mais tempo de TV disponível.

Ainda em relação aos concorrentes, Ciro citou o candidato Jair Bolsonaro (PSL). "Sabemos que no Centro-Oeste há um forte apoio da população à direita, mas o agronegócio, que lidera naquela região, seria um dos mais prejudicados pelas propostas do Bolsonaro, dado o padrão de juros (baixo) que o setor precisa para poder trabalhar", disse. "Não podemos levar as propostas do Bolsonaro a sério", enfatizou.

Ciro defende revogação da Emenda 95, que contingencia gasto para saúde e educação

Como já citado em outras ocasiões, o candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, reforçou a necessidade de revogar a Emenda Constitucional 95, que contingencia gastos para setores como saúde e educação. "O presidente Michel Temer está proibindo o Brasil de expandir, até 2030, áreas de necessidade básica incluindo, também, infraestrutura, segurança e habitação. Mais da metade do orçamento da União está comprometida com juros e rolagem de dívida", afirmou em evento com militância, na capital paulista.

Na educação, Ciro reafirmou que é possível utilizar "boas práticas" adotadas durante seu governo do Estado no Ceará e aplicar a nível nacional. "Vamos criar um retreinamento do magistério brasileiro", disse.

Uma segunda tarefa que seria adotada pelo pedetista é a estratégia de "subfinanciamento", voltada para algumas áreas específicas. "Com isso, poderemos zerar a demanda formal por creches e avançar nas escolas de tempo integral no Brasil", exemplificou.

Com relação à infraestrutura, o presidenciável afirmou que há cerca de 40 mil projetos de habitação do 'Minha Casa, Minha Vida' que estão paralisados, assim como obras de expansão da BR-163, que liga a região de Mato Grosso ao Norte do País. "Precisamos de financiamento, seja através do Banco Mundial, Caixa Econômica ou outras instituições".

'Se houver maiores problemas, chamo a população por meio de plebiscito', diz Ciro

O candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes, disse neste sábado, 25, que pretende manter um diálogo aberto com acadêmicos e o empresariado, caso seja eleito. "Se houver maiores problemas, chamo a população por meio de plebiscito", argumentou durante discussão com militantes das redes sociais, na capital paulista.

Sobre a classe política, Ciro afirmou que precisará de apoio no Congresso Nacional. "Não me mandem para Brasília de mãos e pernas amarradas. Preciso de uma turma no Congresso para poder trabalhar", acrescentou.

Segundo o presidenciável, a população não pode adotar a premissa de que "todo político é corrupto" e na capital federal "há um terço de pilantras, um terço de parlamentares de bem e um terço de híbridos". "Quem escolhe a maioria é o Poder Executivo."

Minutos finais

Ao final das discussões, Ciro se emocionou ao ouvir o relato de um militante vindo do Ceará que o lembrou de um programa voltado para o melhoramento genético da agricultura na região e que favoreceu a população local.

Participaram do evento o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e o candidato ao Senado pelo partido, Antonio Neto.



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