Jornal do Brasil

País - Eleições 2018

Procuradorias vão investigar redes sociais

Denúncias envolvem PT a supostas ofertas a influenciadores digitais

Jornal do Brasil KATIA GUIMARÂES, katia.guimaraes@jb.com.br

Depois da denúncia de uso de “influenciadores digitais” pagos pela campanha eleitoral do PT, as procuradorias eleitorais de Minas Gerais e do Piauí abriram procedimentos para analisar se houve irregularidades em ações nas redes sociais para beneficiar candidatos petistas. O procedimento é o primeiro passo para a abertura de uma investigação formal. O caso ganhou repercussão no fim de semana, após uma série de posts exaltando a gestão do governador do Piauí, Wellington Dias, candidato a reeleição.

A ação foi denunciada pela influenciadora digital Paula Holanda, que, em seu Twitter, disse que foi procurada por uma representante de uma agência de marketing digital, a Lajoy. Paula publicou suposto briefing em que uma pessoa chamada Isabella Bomtempo, da agência, convidou-a para participar de ação “de militância política para a esquerda” e não de cunho partidário. No trecho divulgado por Paula não havia menção a pagamentos. Ela aceitou.

Macaque in the trees
A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, disse que o partido está averiguando a origem das denúncias contra Wellington Dias

Segundo resolução do TSE, “é vedada a veiculação de qualquer tipo de propaganda eleitoral paga na internet, excetuado o impulsionamento de conteúdos, desde que identificado de forma inequívoca como tal e contratado exclusivamente por partidos políticos, coligações e candidatos e seus representantes”.

A senadora Gleisi Hoffmann (PT), presidente nacional do PT, afirmou ontem que o partido está apurando o fato. “O PT nunca adotou este tipo de prática, nossas relações com as redes sempre foram de respeito e militância”, disse. “Nunca pagamos ninguém para falar em rede, muito pelo contrário. Estamos averiguando isso, para esclarecer essa situação.”

Uma das empresas apontadas como recrutadora destes influenciadores é a BeConnected, sediada em Belo Horizonte, e que tem um assessor de um deputado federal Miguel Corrêa (PT-MG), candidato ao Senado, como sócio. Em nota, a assessoria do candidato petista disse ter trabalhado com o desenvolvimento de startups e que “Corrêa têm despontado como referência na pauta da tecnologia, inovação e geração de empregos para a nova geração de jovens empreendedores, mulheres e pessoas que nunca tiveram condições de capilarizar suas ideias em grandes negócios”.

Na noite de ontem, o PT emitiu nota oficial negando qualquer pagamento a influenciadores digitais. “O Partido dos Trabalhadores esclarece que não contratou nem pagou nenhuma empresa para fazer divulgação remunerada de conteúdos nas redes sociais. O PT não pratica nem precisa desse tipo ação. O partido construiu forte presença nas redes sociais, sempre baseada no engajamento espontâneo”, diz a nota.

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PT vai ao TSE contra TVs

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou ontem com recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para garantir que as emissoras de televisão tenham isonomia na cobertura das campanhas eleitorais e dediquem ao presidenciável petista o mesmo tratamento destinado aos demais candidatos à Presidência da República. Segundo a legenda, a petição contem provas que demonstram que as televisões estariam “escondendo” a campanha de Lula e de seu vice, Fernando Haddad.

“As emissoras de televisão estão omitindo em sua programação diária, principalmente nos telejornais, a existência da campanha de Lula, apesar de haver um comitê de campanha ativo, que promove atividades diárias em diferentes pontos do pais”, diz a petição.

O documento refere-se aos telejornais que foram ao ar de 20 e 24 de agosto, e aponta que o Jornal Nacional dedicou um total de 5 minutos (um minuto por dia) para cobrir as campanhas de Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB); 4 minutos para Jair Bolsonaro (PSL) e 1 minuto para Álvaro Dias (Podemos).A Rede Record e o SBT não teriam registrado a campanha da coligação de Lula em seus telejornais. Líder nas pesquisas eleitorais, Lula está preso em Curitiba (PR).



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