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País - Artigo

Saúde & Alimentação - Diga sim ao leite cru!

Jornal do Brasil WILSON RONDÓ JUNIOR *

Atualmente, muitos países baniram a venda do leite cru – aquele fresquinho da fazenda, que ainda não passou por processos industriais. Mesmo assim, o interesse por ele tem aumentado. Aí você me pergunta: então quer dizer que o leite cru é melhor para a saúde? Meu amigo, a natureza é sábia!

Veja bem: o leite cru é um alimento vivo, com bactérias boas, que o seu corpo reconhece e utiliza na sua defesa imunológica. Já o leite pasteurizado contém muitas bactérias mortas, que têm ação pró-inflamatória, pois o seu organismo não as reconhece. Ou seja, perde benefícios.

Ao consumir o leite cru, o próprio consumidor relata menos reações alérgicas, melhor gosto, e tem a plena consciência de que ele vem de fazendas, e não de vacas confinadas. O Estado de Wisconsin, nos Estados Unidos, por exemplo, está introduzindo uma legislação que poderá permitir que os consumidores comprem o seu leite diretamente das fazendas.

É preciso entender que o leite produzido em escala industrial geralmente vem de vacas confinadas. A pasteurização é uma forma de matar bactérias patogênicas, presentes por causa do confinamento. Resumindo: nesses casos, é importante entender que a pasteurização é a única exigência requerida para esse tipo de leite, justamente porque as vacas são criadas aglomeradas e em condições insanas!

O leite que você precisa é o de vacas criadas a pasto, em uma situação que os animais vivem em condições que promovem e mantêm a sua saúde. Dessa forma, a pasteurização não é necessária e o leite é melhor em termos de nutrientes e bactérias benéficas.

Melhora em casos de asma e alergia

A Ludwing Maximilian University, em Munique, Alemanha, baseando-se no fato de que a amamentação é protetora contra infecção respiratória nos bebês, decidiu testar que outro tipo de leite de vaca poderia ser protetor. Cerca de mil bebês de áreas rurais da Alemanha, França, Áustria, Suíça e Finlândia foram seguidos no primeiro ano de vida, e seu consumo de diferentes tipos de leite de vaca foi avaliado, comparando-se as taxas de infecções respiratórias.

As crianças que beberam leite cru tiveram 30% menos risco de infecção respiratória do que os outros. O leite que foi fervido na fazenda teve uma diminuição do efeito protetor, mas o leite que foi ultrapasteurizado não mostrou nenhum efeito protetor: os compostos protetores foram destruídos pelo processo de aquecimento.

E as pesquisas não param por aí. Segundo o estudo Parsital, com 150 mil crianças em 2007, concluiu-se que o consumo de leite cru foi inversamente associado com a asma. Já o estudo Gabrieza, publicado no “Journal of Allergy and Clinical Immunology”, em 2011, analisando 8 mil crianças, observou que as que beberam leite cru foram 41% menos propensas a desenvolver asma e cerca de 50% menos susceptíveis a febres e alergias.

Por fim, precisa ficar claro também que, num país imenso como o Brasil, fica realmente difícil controlar corretamente da produção. Mesmo assim, o que precisamos é pensar em modelos que possam ofertar esse produto, com todo o controle sanitário (na ordenha das vacas, por exemplo) e de qualidade necessários.

*Médico e nutrólogo



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