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Família de Franco se encarregará do corpo de ditador se for exumado

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A família de Francisco Franco vai esgotar "todos os recursos legais" para evitar a exumação do corpo do ditador espanhol do mausoléu em que está sepultado, mas, se o procedimento for adiante, assumirá a responsabilidade pelos restos mortais, anunciou neste sábado (25) em um comunicado.

A família fez o anúncio no dia seguinte de o governo socialista de Pedro Sánchez aprovar um decreto de lei com o objetivo de tirar o corpo do ditador do Valle de los Caídos, um conjunto monumental localizado 50 km ao norte de Madri.

"Sob nenhum conceito, a família Martínez-Bordiú Franco colaborará ativa ou passivamente com a iníqua pretensão do governo", escreveu a família no texto, manifestando sua "mais firme e unânime oposição a qualquer exumação" da basílica onde jaz, sob uma lápide sempre coberta de flores e acessível ao público.

Por isso, os parentes do general afirmam que vão esgotar os recursos legais ante o que denominam de um "ato de revanchismo retrospectivo".

No entanto, acrescentando que caso a exumação seja realizada, o que pode ocorrer no fim do ano, segundo cálculos do Executivo, eles se farão cargo dos restos mortais.

"Não permitiremos jamais que o governo disponha dos restos do nosso avô (...), caso seja feita uma exumação dos mesmos contra a nossa vontade, exigiremos que nos entreguem os mesmos para proceder a lhes dar uma sepultura cristã", acrescenta o comunicado.

Horas antes, o jornal conservador La Razón havia publicado uma entrevista com um dos sete netos do ditador, o empresário Francis Franco.

Ele lembrou que a família se opõe a retirar o "generalíssimo" da sepultura em que jaz desde sua morte, em novembro de 1975, mas destacou que caso ocorra a exumação, "certamente nos faremos cargo dos restos do meu avô".

Ante à oposição da família, o gabinete de Sánchez advertiu na sexta-feira que se esta não indicar um local onde reenterrar os restos, o próprio governo poderia se encarregar de sepultá-los em um "lugar digno e respeitoso", segundo a vice-presidente, Carmen Calvo.

O neto do ditador descartou, por outro lado, que o destino do homem que dirigiu a Espanha com mão de ferro entre 1939 e 1975 seja a cripta da família no cemitério El Pardo, nos arredores de Madri.

Ali estão os restos da esposa de Franco, Carmen Polo, falecida em 1988. Segundo seu neto, "não há segurança, meu avô não pode ser enterrado ali. Hoje em dia não se contempla".

No comunicado, a família não se pronunciou sobre este ponto.

O decreto-lei do governo agora deverá ser aprovado durante o mês de setembro na Câmara Baixa do Parlamento, onde os socialistas, minoritários, esperam obter a maioria com os votos do Podemos (esquerda radical) e dos nacionalistas catalães.



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