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Igreja Católica australiana promete lutar contra pedofilia

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Os líderes católicos australianos se comprometeram nesta sexta-feira (31) a combater a pedofilia na Igreja, mas rejeitaram um pedido para suspender o segredo da confissão, mesmo quando envolve tais abusos.

A Igreja respondeu assim ao relatório final da comissão de investigação real que trabalhou durante cinco anos nas respostas institucionais aos crimes de pedofilia.

"Muitos bispos não escutaram, não acreditaram, ou não agiram", declarou o presidente da Conferência dos Bispos Católicos Australianos, o arcebispo Mark Coleridge.

"Estes fracassos permitiram a alguns autores cometer seus crimes, com consequências trágicas e, às vezes, fatais. Os bispos e dirigentes de ordens religiosas disseram hoje: nunca mais", acrescentou.

Após uma década de pressões, o governo australiano cedeu em 2012 e criou uma comissão de investigação.

Em dezembro do ano passado, a comissão publicou suas conclusões, depois de ter ouvido mais de 15.000 pessoas que afirmavam terem sido vítimas de abusos que envolviam a Igreja, orfanatos, clubes esportivos, escolas, ou organizações para jovens.

Entre as recomendações da comissão estava a ideia de que os padres poderiam romper o sigilo da confissão para denunciar os abusos de pedofilia revelados neste âmbito.

Mas o segredo da confissão "não é negociável", declarou o arcebispo Coleridge.

"Não é porque consideramos que estamos acima da lei, ou porque não pensamos que a segurança das crianças tem uma importância suprema", disse ele.

"Mas não aceitamos a ideia de que a segurança e o sigilo da confissão sejam mutuamente excludentes. Não acreditamos que o fim do sigilo vai reforçar a segurança das crianças", alegou.

Em seu relatório, a comissão concluiu que a Austrália "falhou gravemente em suas obrigações" em relação às crianças durante décadas.

O documento concluiu que 7% dos religiosos católicos australianos foram alvo de acusações de abuso sexual contra crianças entre 1950 e 2010, sem que tais suspeitas levassem a qualquer acusação.

Em algumas dioceses, a proporção atingia 15% de padres suspeitos de pedofilia. O pior caso foi o da Ordem Hospitalar de São João de Deus, com acusações contra 40% de seus integrantes.

"Sabemos que apenas as ações, e não as palavras, podem restaurar a confiança. Todas as desculpas do mundo não serão suficientes", reconheceu.

Em maio, o então arcebispo de Adelaide Philip Wilson, 67 anos, foi condenado a um ano de prisão por omitir e não denunciar os abusos cometidos pelo padre pedófilo Jim Fletcher, nos anos 1970, no estado de Nova Gales do Sul.

Há poucas semanas, um tribunal concedeu permissão para uma prisão domiciliar.

Wilson foi um dos eclesiásticos de mais alto escalão na hierarquia católica mundial a ser condenado por esse tipo de crime. O papa Francisco aceitou sua renúncia no fim de julho.

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