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Ex-premier escocês abandona liderança de partido por acusação de assédio

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O ex-primeiro-ministro escocês Alex Salmond, ex-líder nacionalista que levou a Escócia ao referendo pela independência em 2014, anunciou na quarta-feira sua renúncia à liderança do Partido Nacional Escocês (SNP) em meio a acusações de assédio sexual.

A decisão aconteceu depois da revelação, na semana passada, de que foram apresentadas, em janeiro, duas denúncias contra o ex-premiê por assédio sexual em 2013, quando ocupava o cargo (2007-2014).

Segundo o jornal escocês "Daily Record", dois membros da equipe de Alex Salmond denunciaram episódios de agressão sexual, que teriam acontecido na residência oficial do premiê escocês.

Depois de uma investigação interna, o atual governo escocês, dirigido pela separatista Nicola Sturgeon, que também pertence ao SNP, denunciou os fatos à Polícia.

 

Nicola Sturgeon manifestou sua "enorme tristeza" com a renúncia de seu "amigo e mentor durante três décadas" à liderança do partido, mas disse compreender sua decisão.

As denúncias contra Salmond devem ser examinadas e não podem ser "varridas para debaixo do tapete", acrescentou Nicola.

Além disso, "a causa da independência (da Escócia), à qual tanto ele quanto eu dedicamos nossas vidas, vai além do caso de um único indivíduo. E o trabalho que devemos fazer hoje para alcançar a independência é mais importante do que nunca", acrescentou a primeira-ministra escocesa.

Alex Salmond renunciou como premiê em novembro de 2014, semanas depois da vitória do "não" no referendo sobre a independência da Escócia.

Em uma mensagem de vídeo publicado nas redes sociais na quarta à noite, Salmond anunciou que deixaria o SNP para evitar uma "divisão interna substancial" e os ataques dos partidos políticos rivais.

"Não entrei na política para facilitar os ataques da oposição ao SNP e, com o Parlamento que recomeça na próxima semana, apresentei minha renúncia para eliminar essa linha de ataque opositor", afirmou.

"Estou, sobretudo, consciente de que, se o partido se sentir obrigado a me suspender, causaria uma divisão interna substancial", acrescentou.

Salmond reiterou seu desmentido sobre as acusações por assédio e acrescentou que rejeita qualquer "sugestão" de que houve algum crime.

O ex-premiê disse que adotou ações legais para impugnar a investigação lançada pelo governo escocês contra ele.

 

Embora tenha anunciado que estava deixando o partido, disse que voltaria a ser membro do SNP "enquanto tiver a possibilidade de defender minha honra". Salmond acrescentou ter lançado uma campanha para arrecadar fundos que o ajudem a pagar seus gastos com a Justiça, o que provocou grandes críticas.

"A Escócia se encontra hoje em uma situação incrível e sem precedentes, na qual seu ex-primeiro-ministro mais célebre pede dinheiro a seus apoios no SNP para atacar na Justiça o governo que ele mesmo dirigiu", comentou ironicamente um porta-voz dos conservadores escoceses.

Para a deputada trabalhista escocesa Rhoda Grant, Salmond "abusa de seu poder e desonra a Escócia".

Nesta quinta-feira de manhã, Alex Salmond já havia superado sua meta, angariando 50.000 libras (55.700 euros).

 

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