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Guia supremo iraniano está disposto a abandonar acordo nuclear se for necessário

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O guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, reiterou nesta quarta-feira que o país está disposto a sair do acordo nuclear de 2015 se este deixar de "preservar os interesses nacionais" do país.

"Naturalmente, se chegarmos à conclusão de que eu não preserva mais os nossos interesses nacionais, renunciaremos a ele", disse Khamenei, citado em seu site oficial.

O acordo, assinado pelo Irã e as grandes potências em 2015, foi denunciado em maio pelo governo dos Estados Unidos, que restabeleceu sanções contra Teerã.

O aiatolá Khamenei voltou a falar sobre a recusa do Irã de iniciar negociações sobre a questão com os Estados Unidos, apesar de uma recente proposta neste sentido do presidente americano Donald Trump.

Os Estados Unidos "querem que acreditem que podem levar qualquer um, até mesmo a República Islâmica, à mesa de negociações. Mas como eu já disse (...) não acontecerá nenhuma negociação", declarou.

Washington já adotou uma primeira série de sanções e prevê outras em novembro, em especial contra o importante setor de energia da economia iraniana.

O Irã "não deve depositar suas esperanças" nos governos europeus, que tentam salvar o acordo, advertiu o aiatolá.

Teerã denuncia o "estrangulamento" de sua economia por Washington e solicitou na Corte Internacional de Justiça (CIJ) a suspensão das sanções.

"O tempo é curto para a República Islâmica do Irã", declarou, por sua vez, nesta quarta o representante iraniano Mohsen Mohebi aos juízes da suprema corte em Haia.

"Milhões de pessoas que vivem no país já sofrem profundamente as sanções restabelecidas pelos Estados Unidos", acrescentou.

Os Estados Unidos defenderam na terça-feira que o restabelecimento das sanções era necessário para proteger a segurança internacional e rejeitar a jurisdição da CIJ para o julgamento solicitado pelo Irã.

Várias empresas internacionais anunciaram que se retirariam do país após o restabelecimento das sanções.

O Irã alega que as medidas americanas são "violações flagrantes" das disposições do tratado EUA-Irã de 1955, que prevê "relações cordiais" entre os dois países e incentiva o comércio.

No entanto, o Irã e os Estados Unidos não mantêm relações diplomáticas desde 1980.

 

 

Os inimigos políticos do governo iraniano no parlamento aumentaram a pressão e já obtiveram a renúncia dos ministros do Trabalho e da Economia.

Os da Educação e da Indústria podem cair nos próximos dias.

Khamenei assegurou nesta quarta-feira que o tumulto político é um sinal da vitalidade democrática do país.

O parlamento, que na terça-feira fez perguntas difíceis ao presidente Hassan Rohani, pode, em teoria, obter sua demissão.

No momento, Rohani tem o apoio de Khamenei, que disse que tirá-lo do cargo seria o mesmo que "cair no jogo do inimigo".

O guia supremo do regime, por outro lado, conclama todos os setores políticos a "trabalhar dia e noite" para resolver os problemas econômicos do país.

 

 

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