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Estados Unidos endurecem posição diante de silêncio da Coreia do Norte

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Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (28) que podem retomar os exercícios militares com a Coreia do Sul, em um claro sinal, junto com o cancelamento de uma reunião de alto nível em Pyongyang, da estagnação das negociações para desnuclearização da Coreia do Norte.

"Demos o passo de suspender vários exercícios militares como uma amostra de boa vontade", disse o secretário da Defesa, Jim Mattis, a jornalistas do Pentágono nesta terça. "Não temos planos de suspender mais nenhum", completou.

O anúncio de Mattis se soma ao cancelamento de uma reunião de alto nível na Coreia do Norte, sinais que mostram o endurecimento de Washington na negociação com Pyongyang.

As discussões ocorrem após a histórica cúpula em junho entre o presidente americano, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, quando os dois dirigentes se comprometeram a trabalhar em conjunto.

Mas apesar dessa decisão, Pyongyang deu poucos passos concretos na direção do objetivo declaro de se desarmar, e os crescentes sinais de frustração começam a surgir.

"Vamos ver como caminham as negociações e, então, calcularemos o futuro, como avançamos", destacou Mattis.

Os próximos exercícios em grande escala de Estados Unidos e Coreia do Sul, conhecidos como Key Resolve/Foal Eagle, estão programados para a próxima primavera (no Hemisfério Norte).

Na semana passada, Trump cancelou a viagem prevista do secretário de Estado, Mike Pompeo, à Coreia do Norte, segundo os relatórios, porque recebeu o que os funcionários americanos consideraram uma carta "beligerante" de Kim Yong Chol, vice-presidente do partido governante norte-coreano.

"Os Estados Unidos estarão prontos para discutir quando ficar claro que o presidente Kim está disposto a manter seus compromissos" de "desnuclearizar por completo a Coreia do Norte", declarou Pompeo nesta terça-feira.

"Será que (os norte-coreanos) estão mudando seu ponto de vista sobre a desnuclearização? Pode ser" - disse a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, durante entrevista coletiva em Washington.

No mês passado, os funcionários disseram ao Washington Post que Pyongyang parece estar desenvolvendo ao menos um ou dois mísseis balísticos intercontinentais de combustível líquido.

O trabalho está em curso em uma fábrica nos arredores da capital, em Sanumdong, onde os cientistas produziram os primeiros mísseis balísticos capazes de chegar aos Estados Unidos.

Quando questionado se o Pentágono concordava com a afirmação de Trump de que a ameaça nuclear da Coreia do Norte havia terminado, Mattis assinalou uma diminuição das tensões disparadas no ano passado com os ataques trocados entre os dois dirigentes.

"Todo o mundo viu esse progresso quando os dois líderes se sentaram", declarou. "Todos sabíamos muito claramente que seria um esforço longo e desafiante negociar isso, já que sabiam que a guerra começou em 1950 e nunca acabou".

Ainda assim, observadores dizem que os diplomatas americanos acreditam que Kim não tem a intenção de abandonar suas bombas atômicas e está aproveitando sua relação com Trump para obter mais concessões.

 



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