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Chanceler diz que não há lugar para 'ódio nas ruas' na Alemanha

Jornal do Brasil AFP

A chanceler alemã Angela Merkel assegurou nesta terça-feira que "o ódio das ruas" não tem lugar na Alemanha, depois dos incidentes dos últimos dias nas manifestações da extrema-direita em Chemnitz, leste do país.

"O que temos visto não cabe em um Estado de direito", declarou durante uma coletiva de imprensa em Berlim.

"O que vemos são caças coletivas, o que vemos é o ódio nas ruas, e isso não tem nada a ver com o Estado de direito", enfatizou.

A Alemanha vive uma crescente tensão pela sucessão de manifestações violentas da extrema direita depois da morte de um alemão de origem cubana na localidade de Chemnitz.

Na véspera, Merkel denunciou a "caçada coletiva" de imigrantes por parte de militantes de extrema direita.

"Sem dúvidas, a história não se repete duas vezes, mas quando multidões excitadas de extrema direita geram agitação na Alemanha e quando o Estado de direito se vê superado pelos fatos, isso recorda um pouco a situação da República de Weimar", afirmou a revista Der Spiegel em sua edição digital.

O texto aludiu ao regime político estabelecido na Alemanha depois da Primeira Guerra Mundial e que teve de enfrentar atos violentos do nazismo nas ruas antes de sucumbir à tomada de poder Adolf Hitler, em 1933.

O contexto atual é muito menos crítico que a situação alemã no período entre guerras. Mas o ambiente no país está cada vez mais tenso depois dos distúrbios que os militantes de extrema direita protagonizaram nas ruas de Chemnitz no domingo, e da outra concentração violenta na segunda-feira, na qual vários manifestantes fizeram a saudação nazista.

Na noite de segunda-feira, seis manifestantes ficaram feridos por fogos de artifício e objetos lançados em uma concentração de milhares de partidários da extrema direita em Chemnitz, onde, no domingo, um alemão branco de 35 anos foi morto em uma briga supostamente envolvendo um sírio e um iraquiano.

Na manifestação de domingo em função dessa morte, quase mil pessoas participaram dos confrontos entre partidários da extrema direita e extrema esquerda.

 

Outra manifestação, a terceira nos últimos dias, está marcada para a tarde desta terça-feira em Dresden, uma cidade perto de Chemnitz e a capital do estado da Saxônia, na qual a ultradireitista Alternativa da Direita (AfD) para a Alemanha foi a primeira força em as eleições legislativas do ano passado.

"Quando o Estado abdica", afirmou, indignado, o jornal conservador Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ). "Caos en Chemnitz", destacou o jornal Handelsblatt, que considerou ainda que "o Estado de direito está fora de serviço".

A polícia prendeu dois suspeitos da morte a facadas do alemão de origem cubana: um sírio e um iraquiano, ambos de 20 anos, possíveis autores do crime depois de um bate-boca numa festa local.

O crime fez os radicais de direita subirem o tom de seu discurso xenófobo e muito crítico à política de Merkel favorável à imigração e a quem acusam de contribuir para o aumento da criminalidade.

 

As manifestações em Chemnitz foram promovida pelo AfD e o movimento islamofóbico Pegida, que surgiu na região leste, e outros grupos ainda mais extremistas.

"Em Chemnitz, há uma aliança bastante surpreendente entre os hooligans, os neonazistas, o AfD e militantes Pegida foi estabelecida. A violência mostra que esses movimentos têm o mesmo padrão, tudo em um ambiente cada vez mais xenófobo e agressivo", analisou o diretor da Fundação Amadeu Antonio contra o Racismo em declarações à rede de televisão n-tv.

O Partido Social-Democrata, que faz parte do governo de coalizão de Merkel, mostra sua preocupação pela radicalização ideológica na Alemanha.

"Em nosso país, há um pequeno sector de extrema direita usando todos os pretextos para a rua os seus sonhos de violência e uma atmosfera de guerra civil", denunciou o líder social-democrata Burkhard Lischka ao jornal Rheinische Post.

O partido de extrema direita AfD faz parte da agenda política na Alemanha depois de ter alcançado 90 deputados na eleição geral em setembro do ano passado e tornou-se a principal força de oposição ao governo de coalizão de conservadores e social-democratas.

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