Jornal do Brasil

Economia

O cerco dos bancos às pessoas físicas

Jornal do Brasil GILBERTO MENEZES CÔRTES, gilberto.cortes@jb.com.br

Principal filão do sistema financeiro, os empréstimos a pessoas físicas que representavam 25,3% do PIB, contra 21,1% dos créditos às empresas, têm as mais elevadas taxas de juros do país e que continuaram a crescer mesmo sob a recessão e o desemprego, também apresentam a maior resiliência na queda da inadimplência, segundo os dados do Banco Central referentes a julho.

O BC indicou que a inadimplência das pessoas físicas caiu para 3,5% em julho. Redução de 0,4 pontos percentuais frente aos 3,9% de inadimplência em julho de 2017. Ou uma queda de 10,25%. Em parte, porque os empréstimos cresceram 0,5% em 12 meses. Nas operações com pessoas jurídicas, que encolheram, 1,4% em 12 meses, a inadimplência caiu de 3,4% para 2,1%, redução de 1 p.p. (ou -38,25%).

Quando se tratam das operações com recursos livres, ou seja, sem juros subsidiados, que são mais acessíveis às empresas que as pessoas físicas (exceto em financiamentos imobiliários para baixa renda) a inadimplência cresce muito. Nas pessoas jurídicas, o grau de inadimplência baixou de 5,5% em julho de 2017 para 3,4% em julho deste ano, uma baixa de 2,1 pontos percentuais. Ou de 38,18%%.

Já para as pessoas físicas, as operações com recursos livres (cartões de crédito, crédito direto ao consumidor, financiamento a veículos e cheque especial, entre outras) tiveram redução de 5,7% para 5% no mesmo período. Ou seja, a queda de apenas 0,7 p.p. correspondeu a uma redução de 12,28% em 12 meses. Ou seja, menos de um terço da baixa nas operações com as empresas.

Embora tenham registrado que de 20,4 pontos percentuais em julho frente a junho, o juro médio total cobrado no rotativo do cartão de crédito ficou em 271,4% ao ano. Já a taxa de juros da modalidade rotativo não regular passou de 313,3% para 285,2% ao ano. O rotativo não regular inclui as operações nas quais o pagamento mínimo da fatura não foi realizado. A segunda taxa mais elevada do país em julho foi a do cheque especial: 303,20% ao ano. A alternativa do rotativo do cheque especial e do rotativo do cartão, o crédito pessoal não consignado, estava, em 120,6%.

Para o chefe-adjunto do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Renato Baldini, existem fatores de incerteza no Brasil que prejudicam a retomada do crédito. “O mercado de crédito tem apresentado condições favoráveis à recuperação”, afirmou, em entrevista aos jornalistas, segundo a Agência Estado. Mas, contrariando as estatísticas divulgadas disse que “as taxas de juros estão relativamente baixas (?), acompanhando a política monetária, a queda da Selic. Os níveis de inadimplência são também historicamente baixos e existe desalavancagem das famílias e recuperação da economia”, citou.



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