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Ferrugem é escolhido melhor filme em Gramado

As herdeiras, Benzinho e Guaxuma também são contemplados nesta 46ª edição

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“Ferrugem”, de Aly Muritiba, foi eleito pelo júri o melhor filme de longa-metragem brasileiro da 46º edição do Festival de Cinema de Gramado. A produção paranaense levou ainda os Kikitos de Melhor Roteiro (Jessica Candal e Aly Muritiba) e Melhor Desenho de Som (Alexandre Rogoski). O longa aborda os desdobramentos que têm na vida de dois adolescentes o vazamento do vídeo íntimo de uma garota.

Entre os estrangeiros, o paraguaio “As herdeiras” (“Las herederas”) saiu consagrado, com quatro dos seis Kikitos em disputa: além de melhor filme, Marcelo Martinessi foi eleito o melhor diretor e ganhou também o prêmio de melhor roteiro. O Kikito de melhor atriz ficou com o trio de protagonistas da produção, que aborda o amor entre mulheres na Terceira Idade: Ana Brum, Margarita Irun e Ana Ivanova. “As herdeiras” também foi o favorito do público de Gramado. “A Cidade dos Piratas”, de Otto Guerra, recebeu menção honrosa “por colocar questões atuais no formato de humor não domesticado”.

O Prêmio Especial do Júri foi para “Averno”, de Marcos Loayza, “pela ousadia em contar uma história que se inspira na mitologia própria da Bolívia, mas distanciada dos modelos cinematográficos tradicionais”.

Entre os curtas brasileiros, a vitória foi da animação “Guaxuma”, de Nara Normande. O júri ainda concedeu um prêmio especial para “Estamos todos aqui”, “pela coragem e pertinência de retratar cinematograficamente temas de grande relevância social, num ato criativo de imersão e de digna resistência”.

Dentro dessa mesma categoria, os jurados também justificaram a escolha de Maria Tugira Cardoso como a melhor atriz. Ela é a personagem do documentário “Catadora de gente”, mas os avaliadores de Gramado entenderam que “pela força de seu carisma singular, história de vida e por entender que o protagonismo no documentário está como para a atuação na ficção”, a recicladora merecia o Kikito. Ainda entre os curtas, o Prêmio Canal Brasil ficou com “Nova Iorque”, de Leo Tabosa.

O júri da crítica de Gramado também elegeu os três melhores filmes. Entre os longas, “Benzinho”, de Gustavo Pizzi se destacou em razão do “domínio do ritmo, dos pequenos detalhes do cotidiano e do retrato terno dos laços familiares aliados à simplicidade de sua narrativa e à força do elenco”.

Também foi para “Las herederas” a escolha da crítica: “pela delicadeza ao destacar personagens de uma faixa de idade pouco retratada através da sexualidade, assim como seus espaços em nossa sociedade como também seu impressionante conjunto de atuações”.

Por fim, o melhor curta-metragem brasileiro na opinião da crítica foi “Torre”, de Nádia Mangolini. A justificativa foi o “uso inventivo da técnica animação” e também “pelo respeito aos personagens e suas memórias, e pela reflexão de um período traumático da nossa história”. A produção levou também o troféu do júri popular.



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