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Começa hoje período de um mês em que o Rio será palco de uma série de shows de rock progressivo e suas adjacências

Jornal do Brasil JOÃO PEQUENO, joao.pequeno@jb.com.br

Começa hoje um período de um mês em que o Rio será palco de uma série de shows de rock progressivo e adjacências, em diferentes vertentes e ramificações. A atração principal faz dois shows, às 18h e às 20h30, hoje, no Teatro Municipal de Niterói (Rua 15 de Novembro, 35, Centro. Tel.: 2620-1624). Com ingressos esgotados, apesar do preço mínimo de R$ 320, o Stick Men reúne dois integrantes do King Crimson – o baixista Tony Levin e o baterista Pat Mastelotto –, além do guitarrista Markus Reuter, que já tocou nos Crimson Projekcts – bandas paralelas de integrantes do grupo. Um ex-integrante, o violinista David Cross, faz participação especial.

Macaque in the trees
Da esquerda à direita, Markus Reuter, Pat Mastelotto e Tony Levin tocam hoje seus instrumentos excêntricos, com ecos do King Crimson em sua reencarnação nos anos 1980

Apesar de o King Crimson ser originalmente inglês, não há nenhum britânico nos integrantes do Stick Men, formado por dois americanos – Levin e Pat – e um alemão, Reuter. Só o convidado David Cross é da Inglaterra.

Dos três titulares, o baterista Mastelotto, 62, que passou a integrar o King Crimson nos anos 1990, é o único que se apresenta com um instrumento convencional.

Baixista de origem, já tendo gravado com Alice Cooper, Peter Frampton, Peter Gabriel no último álbum de John Lennon, Levin é o mais velho da banda, com 72 anos e se juntou ao King Crimson em 1981, em sua primeira reunião após um longo hiato, de seis anos.

Tony Levin sempre buscou inovações e se apaixonou pelo Chapman Stick, instrumento que toca no trio. Criado em 1972 pelo guitarrista americano de jazz Emerett Chapman, o instrumento tem até 12 cordas sobre o braço, semelhante ao de uma guitarra, para que o músico possa tocar muito mais notas simultaneamente, com as duas mãos – em instrumentos de corda tradicionais, uma mão só dedilha, enquanto as outras fazem as notas.

Macaque in the trees
Caravela Escarlate abre o festival progressivo carioca, na terça-feira

O stick tocado por Levin tem cordas que vão dos tons graves do baixo aos agudos como os de uma guitarra.

Nascido no mesmo ano da invenção do Chapman stick, Markus Reuter, 45, comanda touch guitars de sua própria marca registrada. Embora a técnica tenha sido inventada ainda nos anos 1950, o alemão se apresenta com dois modelos desenvolvidos por ele próprio: a U8 e a U10, de oito a dez cordas, respectivamente. O princípio é semelhante: poder usar até os dez dedos das duas mãos para tocar as cordas diretamente, com tappings.

Um show recente completo do trio, “Prog Noir at the Nieuwe Nor”, pode ser conferido no YouTube. Apesar da excentricidade dos instrumentos, a música não é hermética, lembrando bastante o trabalho deles com o King Crimson – do qual incluem “Sartori in Tangier”, do álbum “Beat”, de 1982. A maioria das faixas do trio é instrumental, mas, entre as 14 faixas do show, também há algumas cantadas, como “Crack in the sky” e “Plutonium”.

Da encarnação setentista do King Crimson, o convidado David Cross, 69, tocou nos álbuns “Lark’s tongues in aspic” (1973) e “Red” (1974), os dois últimos antes do grupo formado em 1968 pelo guitarrista Robert Fripp e mais quem estivesse com ele se dissolver pela primeira vez. Também foram os primeiros a apontar, em algumas faixas, a direção que o KC tomaria após se reunir com as formações que já incluíam Levin.

A partir da próxima semana, bandas nacionais é que movimentam a cena progressiva no Rio de Janeiro, em concepções menos radicais do estilo. Durante um mês, em diferentes locais, as produtoras Vértice Cultural e BeProg promovem o CaRIOca ProgFest, com seis shows. A abertura, na terça-feira, é com o trio Caravela Escarlate, que toca, às 19h, no Centro Cultural Justiça Federal (Av. Rio Branco, 241, Cinelândia. Tel.: 3261-2550).

Sob liderança do baixista, compositor e cantor David Caravelle, o trio tenta fundir “a musicalidade do rock progressivo europeu com o lirismo da música brasileira”.

Para tal, conta com o baterista Élcio Cáfaro, que já tocou com Cássia Eller, Chico Buarque, MPB-4, Boca Livre e Edu Lobo, entre outros; e Ronaldo Rodrigues, que comanda os teclados – piano, órgão e sintetizadores.

A partir das semana seguinte, o festival vai para a Tijuca, com shows às quintas-feiras, às 20h, no Centro da Música Carioca (Rua Conde de Bonfim, 824. Tel.: 3238-3831). Fazendo desvio do progressivo, quem abre a série tijucana, em 6 de setembro, é o Victor Biglione Trio, em que o guitarrista toca músicas de Jimi Hendrix.

Nas quintas seguintes, se apresentam no Centro da Música Carioca Sleepwalker Sun, Únitri e Arcpelago, respectivamente nos dias 13, 20 e 27.

Também haverá um único show em um sábado, em outro local: dia 22 de setembro, na Casa de Pedra (Rua Redentor, 64, Ipanema), com a banda Laranja Boreal, com releituras de músicas dos Secos e Molhados. Este também será o único show do CaRIOca ProgFest com ingresso mais barato, a R$ 20. Os demais custam R$ 40.



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