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Cultura

Ousadia incompreensível: Confira a crítica de "Fica mais escuro antes do amanhecer"

Jornal do Brasil FRANK CARBONE, Especial para o JB

É louvável a tentativa do ator e diretor Thiago Luciano em fazer uma ficção científica existencialista e experimental dentro do universo de guerrilha do cinema brasileiro. Que, no fim das contas, ele tenha conseguido também um visual interessante e chamativo, além de textura caprichada em suas imagens, é uma vitória particular. Mas partindo da ideia de que o filme não parece interessado em se fazer entender, essas intenções se tornam um desperdício.
Num aparente futuro onde a sociedade é dividida entre picos de calor avassalador e frio brutal, um casal precisa lidar com o luto e a depressão que os ronda, afetando todas as relações à sua volta. Apesar da sinopse, nada é muito explicado, o filme abusa dos silêncios contemplativos e as cenas se alternam entre a desconexão e a falta de sentido.
O elenco não tem muito a fazer, porque Thiago parece mais interessado em filmar os espaços do que os seres. Ainda assim o projeto, tem um Caco Ciocler em composição inusitada e caricata, porém competente. Ao final, o espectador reage com espanto a um projeto muito estranho, como os personagens ao contemplarem os períodos de noite sem fim. 



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