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Cheirando a espírito juvenil: Confira a crítica de "Yonlu"

Jornal do Brasil FRANK CARBONE, Especial para o JB

Vinicius era um prodígio. Músico, poeta, desenhista, escritor, pensador, ensaísta, bilíngue, tudo aos 16 anos. Apesar disso, ainda um adolescente nos processos de descobertas típicos de sua idade. Seu codinome, Yonlu. Foi assim que o mundo o conheceu, foi assim que ele se apresentou na década passada. A trajetória tortuosa do jovem encontrou em Hique Montanari a sensibilidade necessária para, sem panfleto ou estardalhaço, dar voz ao grito mudo na sociedade pós-boom da internet: estamos sós e precisamos de ajuda.

De carona com tão múltipla personalidade, Montanari realiza a única biografia possível e transforma em imagens uma tentativa de leitura, não apenas de Yonlu, mas da juventude atual como um todo, dos laços afetivos que permitimos ter em tempos de respeito à individualidade e da maneira perniciosa que a tecnologia incide em nossas vidas. Utilizando as ilustrações criadas pelo artista, o diretor recria a força febril de um tempo, como assim o fez John Cameron Mitchell em “Hedwig”.

Direção de arte e fotografia têm força ímpar ao captar o tanto de encenado que nossas vidas são vendidas nesse imenso “Big Brother”. Somos vistos e queremos ser vistos até o fim. Com o olhar intenso cheio de gula de Thalles Cabral, Montanari pede licença à urgência da juventude captada por Gus Van Sant e constrói o ápice da inadequação juvenil que pede socorro nos chats. 

 



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