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Chapa quente para o Planalto: Confira a crítica de "O candidato honesto 2"

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Apesar da fartura de premissas oferecida pelo Congresso e outras instâncias do poder, o cinema brasileiro investe pouco na sátira política, mesmo na seara da neochanchada, o que torna a franquia “O candidato honesto” uma referência rara (e hilária) no filão. E é nela que se nota, com mais (e melhor) definição, a maturidade da linha narrativa que Paulo Cursino vem construindo como roteirista. Sua parceria com o cineasta Roberto Santucci vem gerando uma série de crônicas de costume sobre a ascensão social no Brasil contemporâneo. Sinônimo de bilheterias milionárias em filmes guiados pela leveza ou pela pura picardia, ora doces (“Fala sério, mãe!”), ora mais brutos (“Os farofeiros”), Cursino depura sua técnica e seu olhar sobre as crises morais do país na saga eleitoral do bom ladrão João Ernesto. Máquina de produzir tiradas e caretas inusitadas, o personagem refina não somente a pena de Cursino mas também o (farto) ferramental cômico e dramático de Leandro Hassum, um dos mais geniais intérpretes do país – muitas vezes subestimado por sua aposta no cinemão.

Em 2014, Ernesto foi contagiado com uma coqueluche de honestidade, que impedia a sua aposta na mentira. Agora, o novo filme (mais maduro, sobretudo nas cenas mais emotivas, chorosas), recria (com abusos saborosos) o processo de impeachment de 2016, fazendo da incorreção política uma licença poética para ataques a flancos de direita e esquerda. Todos apanham, sobretudo o mau humor, que cai por terra nas cenas em que Cassio Pandolph entra em cena, brilhantemente, como o político Ivan Pires, uma temerária encarnação da velhacaria retórica nacional. (R.F.)



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