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O fino da fossa roqueira: Confira a crítica de "Nico"

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Escolada em narrativas documentais, como “Il terzo occhio” (2003) e “Per tutta la vita” (2014), a diretora romana Susanna Nicchiarelli investe mais em pulsões sensoriais do que em fatos em seu recorte histórico da última turnê (e dos últimos excessos) da alemã Christa Päffgen, a Nico, do Velvet Underground. Uma das sensações do Festival de Veneza 2017, de onde saiu coroado com o prêmio de melhor filme na mostra Horizontes, “Nico, 1988” é menos uma cinebiografia e mais uma carta de amor ao rock’n’roll.

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A atriz dinamarquesa Trine Dyrholm é a protagonista da ficção “Nico, 1988”, uma carta de amor ao rock’n’roll (Foto: Divulgação)

Escrito pela cineasta, o roteiro insiste na tese de que a devoção estética de uma artista compromissada com a ousadia não sucumbe diante de fases de tormenta. A intimidade de Susanna com as cartilhas do real dá à produção um desapego em relação a didatismos inerentes a tramas baseados em mitos: sua câmera não dá bola para detalhes, preferindo se concentrar na implosão de sua personagem central. Cada viga que sustenta Christa, em seus tempestuosos 49 anos, rui em cena, por vezes de um modo ruidoso, por vezes, em um doído silêncio. Suas ruínas existenciais e afetivas ficam depositadas no olhar e na máscara trágica de Trine Dyrholm, atriz dinamarquesa que, aos 46 anos, vive o apogeu de sua carreira no cinema, num fluxo contínuo de consagração iniciado em 2016, com a conquista do Urso de Prata no Festival de Berlim, por “A comunidade”. Trine sublinha com precisão cirúrgica os extremos de fragilidade e fúria de Crista, ressaltando que seu lado Nico (o lado roqueira) é o RG de sua alma alquebrada.

NICO: **** (Bom)

Cotações: o Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom



Tags: Nico

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