Tensão entre famílias vitimas de acidente aéreo e empresa aumenta em PE

Dez meses depois do acidente com o avião LET-410 que matou 16 pessoas, em Recife (PE), aumenta a tensão entre familiares e a companhia aérea. Nesta quarta-feira, a Noar Linhas Aéreas anunciou que realizou acordo com 14 famílias com relação às indenizações por danos materiais. Pouco depois, o anúncio foi desmentido pelo presidente da Associação das Famílias das Vítimas do Voo Noar (AFVVNoar), Geyson Soares, e classificado com uma forma de pressão. "Informação, no mínimo, procura ser distorcida. A companhia aérea não fez acordo com as famílias de 14 vítimas", rebateu o engenheiro Geyson Soares, que perdeu seu irmão no acidente.

O avião LET-410 decolou do Recife na manhã do dia 13 de junho de 2011 para uma viagem até Mossoró (RN), com escala em Natal (RN). Minutos depois de deixarem a pista do Aeroporto Internacional dos Guararapes, os pilotos avisaram à torre que estavam com problemas e pediram para retornar. A aeronave caiu com quatro minutos de voo. Os dois tripulantes e 14 passageiros morreram na hora.

O presidente da associação de familiares disse que algumas famílias fecharam acordo em dezembro, mas a maioria mantém as negociações em aberto, sem terem chegado a um entendimento. "Ontem, a associação fez uma reunião e esse assunto esteve na pauta", afirmou Geyson. Nesta quarta-feira, ele voltou a entrar em contato com boa parte das famílias e confirmou. "No momento, não há novos acordos. Alguns receberam propostas que foram consideradas insuficientes", disse.

O diretor de segurança de voo da empresa aérea regional, comandante Ricardo Miguel, disse que as indenizações que estão sendo anunciadas às famílias são referentes à responsabilidade objetiva que o transportador aéreo assume, independentemente de culpa ou ausência de culpa no acidente. "Os acordos são resultados de uma boa relação entre os advogados das famílias, a seguradora Mapfre e a Noar", resumiu.

As primeiras indenizações começaram a ser pagas em janeiro, informou o comunicado da Noar. Outros acordos estão em fase de negociação e aguardam a formalização, assinatura ou homologação judicial para serem concluídos. O comandante Miguel disse que os acordos que envolvem crianças ou adolescentes são formalizados na presença de um representante do Ministério Público.

Em razão da cláusula de confidencialidade, nem a Noar Linhas Aéreas, a seguradora Mapfre e os familiares das vítimas podem revelar os valores envolvidos nos acordos celebrados. O comandante Miguel também disse que pagamento das indenizações por danos materiais não impede que as famílias recorram à Justiça em busca de indenizações por danos morais.