Elza Soares em clássicos da bossa nova com suingue do Farofa Carioca

Leandro Souto Maior, JB Online

RIO - Fazer frente ao impacto de Moro no Brasil, primeiro e único álbum do Farofa carioca, e ainda voltar aos palcos com um novo vocalista de raro talento, semelhante ao de Seu Jorge, não deve ser mesmo tarefa fácil para a banda. Tanto que os caras levaram dez anos para que a ousadia fosse cometida. O Farofa acaba de lançar o seu segundo CD, Tubo de ensaio, com a voz de Mario Broder (ex-Funk n' Lata), no centro das atenções. O novo repertório será apresentado ao público nesta terça-feira, no Estrela da Lapa. Depois, nada de turnê de lançamento. Na semana seguinte, no dia 18, o grupo parte para a Europa com Elza Soares, em uma tentadora parceria que os brasileiros não devem assistir tão cedo.

- Já tínhamos feito um show com a Elza em São Paulo. Ela se entusiasmou e gravou a nossa música A carne - lembra o baixista Sérgio Granha. - Quando soubemos que, por coincidência, estaríamos juntos nas mesmas cidades, na Suécia, Estônia e Finlândia, foi natural que surgisse a idéia de prepararmos um show juntos nesta ida à Europa.

Pode-se dizer que o primeiro álbum do Farofa Carioca foi um marco. Lançado em 1998, traduzia o Rio de Janeiro da época, da malandragem, do morro, da bala perdida, de Niterói e São Gonçalo, e com uma mensagem social que foi bem recebida pelos cariocas, e também pelo Brasil afora. Ao lado de outros grupos e artistas que começaram mais ou menos na mesma época, como Pedro Luiz e a Parede, Boato e Arícia Mess, representavam a produção contemporânea do Rio - e o Farofa era um dos principais nomes dessa turma. Apesar de trazer uma boa base instrumental, muito da força do grupo estava centrada no talento e carisma naturais de seu cantor, Seu Jorge, que não coube nos limites de um grupo de oito integrantes, e saiu em frutífera carreira solo. Agora, o grupo espera recuperar o bom lugar que já teve na cena musical do Rio.

O fresco repertório do novo disco será testado, não só na voz de Broder, mas também na da nova parceira. Na turnê européia, Elza Soares vai cantar músicas do Farofa e eles vão emprestar seu groove aos clássicos da bossa nova que ela trouxe para o show.

- Como estamos nos 50 anos da bossa nova, e lá fora isso ainda fala muito forte, a gente vai tocar aquelas canções, só que com o nosso suingue - detalha Elza. Não tocaremos versões originais. Estamos fazendo do nosso jeito, mas acho que eles vão entender bem. Ou nos chamar de aqueles loucos do Brasil !

A parceria foi inesperada, e ainda não se sabe se irá reverberar aqui no Brasil. Mas, a julgar pela vibração dos músicos e da cantora, é certo que o romance entre banda e cantora não seja mero amor de viagem.

- Tomara que a gente faça um trabalho com ela aqui também torce o percussionista Wellington Coelho.

Marido novo

Elza Soares esteve em cartaz no cinema recentemente, com o filme Chega de saudade (que acaba de faturar o prêmio de Melhor Filme no Festival de Cinema de Genebra), no qual liderava uma banda de baile ao lado do cantor Marku Ribas. No filme, a banda Luar de Prata era formada por atores. Ao vivo, nos eventos de lançamento do longa, os jovens músicos que gravaram a trilha a acompanharam.

- Adorei participar desse filme, com toda aquela gente nova. Adoro gente jovem, minha vida é repleta de novidades. Agora estou com banda nova e marido novo revela a cantora, no alto dos seus 71 anos, apontando para um tímido jovem, Bruno Lucidi, que ainda não chegou aos 30 - Tenho uma energia que as pessoas não acreditam!