Onze de setembro: a história transmitida ao vivo

Até que uma nova catástrofe pare o mundo outra vez, e ainda que ela aconteça e supere tudo que já vimos, o 11 de Setembro de 2001 não será apagado de nossas memórias. Depois de passar décadas desvendando o que havia acontecido em frentes de batalha e campos de concentração, pela primeira vez, o mundo via uma tragédia em tempo real.

O mundo parou para assistir às imagens de homens em queda livre rumo à morte, de centenas de pessoas cobertas de cinzas correndo desorientadas pelas ruas de Nova York, de aviões rasgando o céu americano. Em 11 de setembro de 2001, a realidade superou a ficção. A possibilidade de assistir a praticamente tudo em tempo real e de qualquer canto da Terra dá aos atentados terroristas de uma década atrás a dimensão que nenhuma outra tragédia teve.

Eram 8h46 quando o primeiro avião da American Airlines se chocou contra a Torre Norte do World Trade Center. Quando as televisões entraram ao vivo com imagens da torre em chamas, dois minutos após o choque, a primeira informação era de que um avião de pequeno porte havia colidido com o prédio. As piores suspeitas começaram a ganhar força quando um segundo avião se chocou contra a Torre Sul, às 9h03 daquela terça-feira de céu claro e visibilidade total.

Informado da colisão, o então presidente George W. Bush não conteve a perplexidade. "Estamos sendo atacados", disse-lhe um assessor especial enquanto o presidente conversava com crianças em uma escola da Flórida. Nem Bush nem os milhares de americanos que assistiam às imagens dos ataques pareciam acreditar que estavam sendo atacados em seu próprio território.

Nos momentos que se seguiram até o desmoronamento das torres Norte e Sul do WTC, telespectadores do mundo todo acompanharam ao vivo os esforços de bombeiros e equipes de emergência para esvaziar o prédio, o sofrimento e o medo estampados nas feições cobertas de pó daqueles que conseguiam deixar os prédios e o desespero dos que não conseguiam.

Quando um segundo avião colidiu contra a ala sudoeste da sede do Pentágono, às 9h37, e foi divulgada a informação de que outro avião estaria em posse de sequestradores, tendo a Casa Branca como possível destino, a tragédia de Nova York transformou-se em pânico nacional. O espaço aéreo americano foi fechado e alertas máximos de segurança foram emitidos para todo território. O presidente Bush e seu vice, Dick Cheney, foram levados para abrigos secretos.

Às 10h06, o voo 93 caiu em Shanksville, na Pensilvânia, após a revolta de passageiros e tripulantes contra os terroristas, que perderam o controle da aeronave sequestrada. Encerrava aí o ataque físico ao coração da América. Foram menos de 2h30 entre a tomada do voo 11 e queda da Torre Norte.

À medida que as televisões mudavam o foco do resgate para buscar respostas sobre quem estaria por trás dos atentados, o mundo começava a conhecer o saudita Osama bin Laden, antigo conhecido da inteligência americana, e logo eleito o principal suspeito dos atentados de 11 de setembro.

À noite, Bush retornou à Casa Branca, de onde fez um pronunciamento histórico. "Hoje, nossos compatriotas, nosso estilo de vida, nossa própria liberdade foram atacadas em uma série de deliberados e mortais atos terroristas", disse, prometendo direcionar todos os recursos possíveis para a caçada dos responsáveis pelos atentados.

A década aberta pelo 11/9 viu duas guerras serem abertas. Uma paranoia por segurança tomou conta mundo todo. Os Estados Unidos, que se orgulhavam de ser um dos países mais seguros do mundo, viram crescer o medo misturado ao ódio e ao preconceito, destinados especialmente aos muçulmanos. Os EUA se descobriam vulneráveis.

A insegurança sentenciada em 11 de setembro de 2001 não foi absolvida com a morte de Osama bin Laden em 2 de maio de 2011. Sem o líder, a Al-Qaeda tende a se enfraquecer. Mas a persistência das incertezas indica que a organização é somente um elemento do complexo cenário do século XXI, cuja história ainda está por ser escrita.