Jornal do Brasil

Sábado, 25 de Outubro de 2014

Trânsito

Motorista fica parado no trânsito, enquanto candidatos sorriem nos cavaletes

Celso Franco

Em recente edição de fim de semana, o JB, em corajosa matéria, sobre a situação caótica do trânsito em nossa cidade, expressava sua opinião, comprovada com entrevistas com pessoas do povo. Serviu como alerta aos que detêm as condições, ou a responsabilidade, de resolver o assunto da nossa atualmente ridícula mobilidade urbana. Estas pessoas devem ignorar o que recomenda  o velho provérbio: ”Quando lhe elogiarem, seja você o seu próprio juiz. Quando lhe criticarem, procure examinar o que estão criticando e, tenha a humildade de corrigi-la.” 

A matéria a que me refiro apresenta inicialmente a foto do prefeito sorridente, tendo como fundo a foto de um engarrafamento, hoje cotidiano. Poderia até a matéria se intitulada: “O Rei está nu”.

Enfatiza o fato de que os trabalhadores são os maiores prejudicados, fato que fica claro nas entrevistas que ilustram a matéria.

A denúncia foi modesta. Não só eles, todos nós somos prejudicados e justifico: todas as quartas-feiras devo comparecer ao Centro, oriundo da Barra, onde resido, para comparecer aos julgamentos da Primeira JARI do Detran, que presido. Como estou temporariamente sem carro, tirando férias deste tráfego estressante, vou de táxi até a praça General Osório, e de lá vou, confortável e rapidamente, de metrô até a estação Uruguaiana. Na volta, inverto o caminho de metrô, saltando na estação Cantagalo, onde a enorme oferta de táxis complementa a minha viagem até a Barra, no Jardim Oceânico.

Normalmente este trecho da viagem me custa 43 reais. Nesta semana que passou, face ao péssimo rendimento ao longo do trajeto, sem a orientação dos operadores de trânsito, amadores contratados, que impedissem a desordem inata dos nossos motoristas, seguidores fieis da “Lei do Gerson”, a viagem me custou 53 reais, ou seja, 10 reais a mais.

Ao longo do caminho fui me distraindo, ou melhor, me divertindo com os cavaletes dos candidatos, todos sorridentes, porquê, não sei. Têm um comportamento de hienas.

Oriundo da área de transporte, lá está o ex-secretário estadual, Julio Lopes, com o lembrete: “O homem do bilhete único” Ao eleitor, povo como eu, devo lembrar que poderia estar escrito: “O homem do desastre do trem de Santa Teresa” e que foi flagrado rindo na cena de um grave acidente na SuperVia.

Também está em exposição o meu amigo Roberto Osório, ex-secretário municipal, a quem levei, logo após a sua investidura, todos os elementos para que implantasse o sistema URV, a Utilização Racionada das Vias, capaz de devolver a mobilidade urbana que o Rio, já teve e merece. Apesar de me receber com a fidalguia de seu avô, meu saudoso amigo, o prócer vascaíno José Osório, nada pôde fazer. Deve ter esbarrado na covardia política do prefeito, não querendo penalizar os poderosos, trafegando sozinhos em seus carros, nas horas de pico, em prejuízo da maioria, sacrificada na precária oferta de transporte público. 

É pena. Se tivesse implantado o que lhe sugeri, seria lembrado pelo povo como o secretário que conseguiu resolver o problema da mobilidade urbana do Rio e, um sério candidato à sucessão do atual prefeito.

Como nada disso aconteceu, fica apenas a imagem de um secretário esforçado em tentar solucionar, ou melhor, remediar, os enormes transtornos provocados pelo afogadilho da demolição da Perimetral, a fim acelerar o investimento imobiliário já anunciado e que, se nada for feito para se prevenir o tremendo impacto no tráfego local, será uma catástrofe anunciada.

Assim sendo, fico preocupado com o sucesso de sua candidatura, em que pese os seus predicados morais herdados e, é claro, o meu voto e os que eu possa angariar.

Tags: Artigo, Celso, franco, JB, Trânsito

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