Jornal do Brasil

Terça-feira, 23 de Setembro de 2014

Trânsito

Racionamento, já. Por que não?

Celso Franco

Vi na mídia escrita um suplemento especial sobre a Barra, onde resido, em que aparece uma inteligente entrevista do professor Fernando Mac Dowell, sobre o trânsito interno do bairro, principalmente na Avenida das Américas.

Telefonei-lhe, face à nossa amizade, baseada no respeito profissional mútuo, tecendo considerações sobre o sistema da Plessey, inglesa, que se chama SCOOT, e que controla os semáforos com um atraso de apenas cinco segundos do perfil real do tráfego existente. Confessou-me não conhecê-lo, apenas o americano que sugeriu em sua entrevista. Em seguida lhe perguntei se conhecia outra solução para a infernal saída diária da Barra, rumo ao centro ou zona sul, que não o uso racionado das vias existentes. Infelizmente a ligação caiu e o telefone dele passou a ficar ocupado, sem recuperação possível.

Face ao exposto, como sei que ele me lê, vou aqui continuar a conversa, inspirada num tema mais do que importante, desesperador.

Durante a última guerra mundial, face às dificuldades óbvias existentes, sofremos no Brasil o racionamento de combustível o que eliminou praticamente a presença de carros de passeio em circulação, e gerou os famigerados micro-ônibus, chamados de “lotações”. Exploravam o lucrativo negócio do transporte público que, mais tarde, estes mesmos proprietários geraram as atuais empresas de ônibus, conservando a mesma motivação, o lucro. Este é o cancro que compromete a solução lógica da nossa mobilidade urbana.

A precária oferta de serviços tornou-se o maior incentivador  para a compra de automóveis,  para o transporte individual, facilitado hoje em dia pelas facilidades de financiamento.

No nosso trânsito a presença de carros de passeio chega ao total percentual de 96%, transportando apenas o seu motorista, nos horários de pico.

Quaisquer das soluções sugeridas pelo urbanismo estático, novas vias e túneis, não serão imediatas para resolver um problema imediato. Somente o uso racionado das vias, o URV, que pune o transporte individual, com a “taxa de congestionamento”, baseada no artigo 219 do Código de Trânsito Brasileiro, pode resolvê-lo. O pedágio social,de 50 reais /mês, que irá isentar da elevada taxa diária de congestionamento os motoristas que praticarem o transporte solidário, entre donos de carros, irá gerar um fundo mensal capaz de financiar o transporte público, aliviando o usuário do perverso sistema de explorar o transporte público, empresarialmente, mui justamente, visando  o lucro.

Além disto, sorteios mensais, a fim incentivar uma maior quantidade de componentes de cada grupo (car pool), prêmios em dinheiro, semanalmente, proporcional ao número de componentes de cada “car pool”.

Espera-se com este sistema de racionamento das vias somente nos horários de pico, reduzir o número de carros de passeio, de 50 a 80%, do atual volume de 96%.

Estaremos, nada mais, nada menos, do que utilizar o mesmo recurso quando o fornecimento de água é escasso ou, o da energia elétrica. 

A Barra se apresenta como bairro ideal para o primeiro teste, de um sistema que deverá ser implantado aos poucos, até atingir o total da frota circulante, gerando com isto, um recurso de 100 milhões/mês. 

Por que os detentores do poder não o experimentam, não sei dizer. Aos senhores eleitores cabe lhes perguntar, não a mim que, ao tentar dar conhecimento ao nosso prefeito, ex-administrador de Barra, entreguei o resumo do plano e o pedido de audiência ao então secretário de governo, Rodrigo Bethlem. Fui uma legítima vítima da Lei de Murphy.

O sistema proposto segue à risca o princípio basilar da engenharia de tráfego: Utilizar ao máximo a capacidade das vias existentes.

O seu não aproveitamento vem confirmar o que denunciou um livreto da Philips,de Eindoven, Holanda, quando, em 1976, ao explicar com detalhes, a maneira de se otimizar o controle dos ciclos dos semáforos de uma cidade, com o uso do computador, com o título: ”Engenharia de tráfego, a ciência esquecida”.

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Tags: Artigo, Celso, franco, JB, Trânsito

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