Jornal do Brasil

Terça-feira, 16 de Setembro de 2014

Trânsito

Copa: feriado em dias de jogos é "tirar o sofá da sala"

Celso Franco

No momento em que estiverem lendo este artigo, espero que a nossa seleção tenha já ultrapassado as, sempre difíceis, oitavas de finais. O nosso sofrido povo que, com seu comportamento acolhedor, está salvando a nossa imagem perante o mundo, merece isto.

Afora o Brasil, torço pelo sucesso dos “oranges”, a seleção holandesa que já, por três vezes, chegou perto. E o faço por gratidão dos felizes dois anos em que vivi naquela pequenina grande nação, onde iniciei o aprendizado de tudo que sei sobre a ciência do controle do trânsito, que garante o meu sustento honesto, até hoje.

Mantenho-me ocupado e atualizado, através de constante leitura e consultas técnicas, consultando quem realmente sabe. 

Coça-me a mão o fato de não escrever sobre o assunto que monopoliza o noticiário, a Copa do Mundo. Poderia fazê-lo, uma vez que já fui “cartola” nos anos 60, auxiliando o Bangu que vivia uma época áurea. Acabo de tomar conhecimento, no momento em que redijo este artigo, das possíveis duas modificações da nossa seleção que, desde o último jogo eu preconizava aos meus amigos. Afinal sem meio campo alimentando, não há centro avante que faça “goal” e, os dois gols que tomamos, foram originários de jogadas pelo lado do nosso lateral direito. Afinal, quando fui nomeado diretor de trânsito, do finado Estado da Guanabara, um jornalista, em nota genial, sobre a notícia, publicava: “Celso troca de apito”.

De fato, eu  trocava a direção do Departamento de Árbitros da Federação Carioca de Futebol, pelo Detran.. Sem dúvida, os apitos eram diferentes, não menor a responsabilidade. Em ambos os casos lidava com a emoção do povo. Ou seja, agora iria enfrentar o princípio do PIEV, que regula o comportamento do motorista, onde o P é da percepção, o I é de inteligência, o E de emoção e o V de vontade forte. O interessante, e merece ser registrado, é que passados uns seis meses de minha posse, quando finalmente pude ir ao Maracanã afim poder assistir a uma partida de futebol em paz, encontrei o iniciante árbitro Arnaldo César Coelho, que eu havia começado a prestigiar escalando-o, como árbitro, em jogos importantes, e que iniciava a brilhar na sua difícil profissão. Declarei-lhe que, caso não se mascarasse, seria o melhor árbitro do Brasil, ao que ele retrucou: “E se você também não se mascarar, será o melhor diretor de trânsito que o Rio já teve”. Sem falsa modéstia, parece que os nossos votos foram sinceros, segundo os fatos da vida que se seguiram.

Atualmente onde cumpro, com prazer, semanalmente, no JB, por mais de quarenta anos, escrever sobre trânsito, assisto, triste, ao que ocorre hoje com a turma da “meia ciência” que administra o trânsito de nossa cidade, precisando que o Alcaide decrete feriado para que o Maracanã receba, sem problemas, a metade do público que era capaz de receber no meu tempo. Na impossibilidade de confiar no esquema de trânsito para o evento, resolveu “tirar o sofá” como no caso daquela velha anedota do pai da filha, não muito comportada, no relacionamento com o seu noivo, no sofá da sala.

Considero a decretação de feriado uma censura pública a sua esforçada equipe que tenta exercer a ciência do controle do trânsito, com aquilo que sabem.

No meu tempo reagia sempre que o Governador Negrão de Lima se deslocava, para algum evento de helicóptero, confessando a ele que me considerava censurado todas as vezes que ele usava aquele meio de transporte para o seu deslocamento urbano. Ao que ele carinhosamente retrucava: “Não é por não confiar no seu trânsito, é por comodidade.”

Senhor Prefeito, por uma questão de gentileza, diga aos seus subordinados que a decretação de feriado é para seguir o ditado: “Mais vale prevenir do que remediar”, ou, de um modo mais  sofisticado, como diriam os ingleses:  “To be in the safe side.”

Tags: Celso, coluna, franco, texto, Trânsito

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