Jornal do Brasil

Terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Trânsito

Uma opinião abalizada para nos fazer refletir

Celso Franco

O noticiário eletrônico da ANTP, (Associação Nacional de Transporte Público) com o título: “De quem é a cidade afinal?”, enfoca a intromissão absurda da Câmara dos Vereadores de São Paulo nas decisões da sua Secretaria Municipal de Transportes, tentando acabar, com o, embora ineficiente e tolo, rodízio de carros particulares, que o paulistano considera um bom paliativo. Leda ilusão, atacada e desmascarada na mesma matéria, pelo economista Samuel Pessoa, em artigo na Folha de S. Paulo. Nos comentários do noticiário eletrônico, diz lá, textualmente que: O ilustre economista colocou o dedo na ferida ao declarar que: “O rodízio seria o meio mais eficiente de restringir o uso de veículos e, portanto minorar os congestionamentos? Certamente, não. A forma mais eficiente de fazê-lo é a introdução do pedágio urbano”. Pois é, o pedágio urbano, uma medida da qual os governantes fogem como o diabo da cruz.

E continua o senhor Samuel Pessoa: “A partir de certo nível de utilização, as vias públicas se congestionam e deixam de ser um bem público no senso econômico, passando a ser  um bem de natureza privada. Para que uma pessoa use uma via é preciso que outra tenha de sair. E a pergunta é : quem sai?

Concordando ou não como com a tese do pedágio urbano, uma questão posta pelo senhor Pessoa é evidente: “A forma eficiente de racionar o uso de um bem ou serviço de natureza privada é por meio da elevação do preço”.

Como fazer isso, parece que é exatamente o que muitos não querem discutir. Por discordar da tese no que ela tem mais de cristalino: O espaço público privado privatizado leva uma cidade a uma desorganização crescente e pune a maioria em função do privilégio de poucos.

Estas são as considerações do informativo da ANTP, perfeitos no ponto de vista brilhante de um economista, para mim, especialista calejado em assuntos do trânsito, apresenta falhas, se enfocarmos de que o trânsito é o terceiro problema social do mundo, só superado pela fome e a manutenção da paz, segundo estatística do setor de urbanismo da ONU. Assim sendo deve ser enfocado, em primeiro lugar sob o aspecto social e, aí é onde o pedágio, como se conhece no mundo, é falho. E  é por favorecer os que podem pagar, sem se onerar muito e os que não podem fazê-lo, por lhes ser por demais oneroso. É um sistema perverso que pune os menos favorecidos e,no nosso caso, abrigando-os a enfrentar as amarguras do nosso precário sistema de transporte de massa.

Foi pensando neste aspecto que criei o sistema URV, (Utilização Racionada das Vias) onde se cria uma “taxa de congestionamento”, baseada no espírito do Código de Trânsito, em seu artigo 219, ao punir como infração Média, o motorista que trafegar com velocidade inferior á metade da máxima. Este é, como comenta o texto da ANTP, o que trafega sozinho ocupando um espaço na via que é de todos. Este desperdiço de espaço, já tão exíguo, não pode ser tolerado, em nome de uma política de justiça social. Ainda em nome dela, cria-se o pedágio que chamei de social, onde a prática do transporte solidário, entre donos de carro, que se conheçam, os livrará da pesada taxa diária de congestionamento.

Ao racionarmos o uso das vias, por não suportarem volume de carros particulares que delas se utilizam, estamos fazendo o que faríamos se faltasse água, o que também já ameaça São Paulo, racionado o seu uso.

Alem de criar uma arrecadação capaz de financiar o transporte público de superfície, aliviando os seus usuários da pesada carga de pagar altas tarifas de passagem, é capaz, como ação principal, face aos prêmios semanais,em dinheiro, por sorteio, que dá proporcionalmente ao  número de componentes de cada “car pool”, de diminuir em cerca de até 80% do tráfego de carros, nas horas de pico.

E por que os governantes fogem, até ou principalmente, do sistema URV, que já levei ao conhecimento dos governos municipais de São Paulo e do Rio?

Por falta de coragem política, responderão os senhores leitores e o que eu prefiro dizer, por falta de coragem moral, face ao receio de perder votos daqueles em que teimam, covardemente, em não socorrer, por lhes faltar a coragem indispensável de cumprir o seu dever cívico, que deveria caracterizar a todos que têm a imensa responsabilidade de exercer o Poder Executivo municipal.

Tags: Artigo, Celso, coluna, franco, Trânsito

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