Jornal do Brasil

Quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

Trânsito

Maio amarelo, mês da segurança no trânsito

Celso Franco

Estamos vivendo um período de ilusionismo, ou do “me engana que eu gosto”. Acabo de tomar conhecimento que a nossa Presidente acabou de afirmar, num programa de rádio, que os nossos aeroportos estão prontos (?) para receber o fluxo de turistas que aqui chegarão para esta inoportuna Copa. Estamos também vivendo o mês da segurança no trânsito, chamado de “Maio Amarelo”, quando até o nosso Cristo Redentor, coitado, foi iluminado com esta cor para lembrar ao povo a campanha. Escolheram mal a cor que, na língua inglesa significa, em sentido figurado; covardia. A covardia ou a indiferença em atacar de fato o segundo fator de morte dos brasileiros e, o que é pior, na faixa etária dos jovens.

"Comemorando" o mês, no Ceará aconteceu um acidente de ônibus onde morreram 18 pessoas e ficaram feridos 17, dos quais 14 em estado grave. A justificativa do motorista para o fato não me convence. Está evidente o seu despreparo e, tivéssemos  um Congresso com a sensibilidade e até amor ao próximo,já teríamos a  lei que obriga ao motorista ser preparado em simulador, como piloto de avião, timoneiro de navio, enfim, a todos que têm a responsabilidade de transportar vidas humanas. O Poder Legislativo que deve ser o sustentáculo da democracia e que, paradoxalmente, é a que mais a compromete, barrou o projeto que obrigava o uso do simulador, como fator complementar para se tornar habilitado como condutor de veículos. A grande vantagem deste acessório de ensino, é que nele o motorista toma conhecimento de todas, repito, todas as situações que poderão advir durante o exercício de seu ofício. O acidente acontece quando o motorista se depara com uma situação para a qual não está preparado. É a surpresa que faz o acidente acontecer.

Recebi pela Internet um clip que transcrevo, na íntegra e que, pensei em apenas publicá-lo, sem nenhuma consideração minha, apenas para que avaliem o meu sofrimento, por haver aprendido o que sei na Europa e agora ter que viver no meu país, onde a vida do ser humano pouco vale.

Ei-lo: De acordo com um relatório da ETSC (Conselho Europeu de Segurança nos Transportes), a condução nas vias europeias foi eleita a mais segura do mundo. Os números, que virão a seguir, se deve a uma série de fatores, desde a maior segurança nas estradas, ao maior nível tecnológico de sistemas presentes nos veículos, que proporcionam segurança passiva e ativa. Estes, além de evitar acidentes, os tornam menos perigosos, quando, inevitavelmente acontecem. A pesquisa do Conselho revelou que as fatalidades na União Europeia, considerando-se, como referência, as estradas da Suíça diminuíram de 28 mil mortes no ano de 2001, para 12 mil em 2012, ou seja, pouco mais da metade. Enquanto isto, na Espanha e na Letônia, tais números caíram em 66% no mesmo período Para termos uma ideia de como os acidentes têm se tornado raros por lá, nas estradas da Grã Bretanha, Suíça e Holanda registram cerca de duas mortes a cada um bilhão de quilômetros percorridos. Apesar disto, as autoridades locais ainda não se deram por satisfeitas, como relatou Antônio Avenoso, diretor executivo da ETSC: “É simplesmente errado que 12 mil pessoas ainda morram, todos os anos, por razões que, em sua maioria, podem ser evitadas”

Para diminuir ainda mais estes dados, estão propostas na Europa leis mais severas no que diz respeito ao uso do cinto de segurança e a direção sob o efeito do álcool. Em nível de comparação, o Brasil tem cerca da 43 mil mortes em acidentes de trânsito por ano, segundo relatos do Detran de São Paulo.

Observação minha, por testemunho pessoal: Na Europa, os  que exercem os altos cargos federais  de administração no setor de trânsito e de transportes,ditando as normas nacionais de segurança, são escolhidos por sua competência, não por influência política. 

O resultado é lógico.

Tags: Celso, coluna, franco, JB, Trânsito

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