Jornal do Brasil

Sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Trânsito

Críticas e dicas úteis

Celso Franco

Não se surpreendam, as críticas não são minhas mas, de quem labuta , diariamente, neste trânsito nosso de cada dia, o motorista de táxi, aliás o maior cabo eleitoral , contra ou a favor do governo.

Na minha fase atual da vida, desmotorizado e passageiro de táxi, o melhor meio de  transporte público disponível na nossa cidade, passei a ter com quem conversar, nos meus deslocamentos da Barra ao centro e, vice –versa. Aliás, Edgard Estrela, o único diretor de trânsito vitalício do Rio, que me inoculou o germe do trânsito, sempre me dizia;”Não se administra o trânsito sem o apoio dos taxistas”. Por causa deste sábio conselho, nas minhas duas gestões, sempre os apoiei e facilitei sua vida sacrificada, por contratos de trabalho lesivos e que os explora, até hoje.

Criei um formulário para que eles o preenchessem, informando tudo que, na opinião deles , estava errado nas vias públicas,quanto á sinalização, o funcionamento  da semafórica, buracos, abusos do policiamento, enfim tudo o que pudesse contribuir, para o bem da mobilidade urbana que, naqueles bons tempos, havia.

Este relatório era encaminhado a meu gabinete, através o seu sindicato. Não lhes cobrava nenhuma taxa para renovação da carteira de habilitação e trabalhei, junto a quem de direito, a fim tornar a autonomia hereditária de pai para filho.

Pois bem, na segunda feira que passou, ao tomar um táxi, cerca das 17 horas, no trecho da rua da Assembléia, no quarteirão que vai do trecho, em frente da Assembléia Legislativa á Avenida Rio Branco, fui logo aprendendo como o Nasser, assim se chamava o meu loquaz motorista, que os táxis que circulam naquele quarteirão, preferem a ida para a zona sul e, no seguinte, entre a avenida Rio Branco e a rua da Carioca, a zona norte.

Em seguida entramos naquele “curral”, por onde  os táxis só podem circular, na Avenida Rio Branco, rumo á avenida Beira Mar., por indicação minha , que mais tarde explico o porque.

Ao chegarmos á altura da praça Mahatma Gandhi, e pararmos no seu último semáforo chamou-me a atenção para o absurdo daquele sinal que instalaram no Aterro, a fim propiciar a entrada dos coletivos na nova, direção da mão dupla da  Rio Branco, ser um sinal burro de tempo fixo, em vez de um atuado pelo tráfego,que provocava uma enorme retenção até o acesso ao aeroporto, no trevo dos Estudantes. De fato, naquele momento, em que lá estivemos esperando o nosso sinal abrir, o sinal burro interrompia o fluxo, no Aterro, sentido zona sul, para que nenhum ônibus por ele acessasse a avenida Rio Branco.

Em seguida confidenciou-me que , outro dia teve que deixar uma passageira, em cadeira de rodas, na esquina da rua Nilo Peçanha, com a  avenida Rio Branco, a fim de que fosse ao médico no Edifício Avenida Central, pela proibição de não poder deixar passageiro na dita avenida.

Esta foi a crítica que , como disse, não é minha , pois “joguei a toalha”,na esperança de que, como dizia meu pai: “Até isso passa”...

Mas, o porque de tomar a avenida Beira Mar, prende-se ao fato de que, aquela hora, o caminho mais desimpedido para se chegar até a praça Sibélius, era ir pela avenida Oswaldo Cruz, praia de Botafogo, e rua São Clemente, apesar do tráfego pesado nesta última e, assomar à rua Jardim botânico, naquela hora com três faixas rumo á dita Praça.

Continuamos a nossa agradável viagem e palestra, trocando observações sobre o que víamos e sentíamos no nosso trajeto, até que o Nasser observou: “O senhor conhece um bocado de trânsito”.

Com esta observação tive que me identificar, para gáudio do meu motorista casual, que lhe valeu ganhar um exemplar do meu livro: “O Trânsito Brasileiro e o seu novo Código” autografado e com a dedicatória: Ao Nasser, excelente profissional, com a amizade do autor e, os meus telefones.

Afinal, ninguém administra trânsito ou, a partir de hoje, eu o comento, sem o auxilio dos heróicos motoristas cariocas de táxi.

Tags: aeroporto, Avenida, fato, identificar, passageiro, toalha

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