Jornal do Brasil

Sexta-feira, 25 de Abril de 2014

Trânsito

Medida, pelo menos, insensata

Celso Franco

Eu já havia entregue o texto do artigo desta última segunda feira, dia 10, quando ocorreu o que eu previra no artigo da segunda , dia 3, sob o título:”Semana trágica”, com o seguinte parágrafo:

“Neste caso ainda é tempo, não apenas para minorar o mal já feito, mas, principalmente, para gerar recursos (cerca de 100 milhões/mês) afim subsidiar  o transporte por ônibus, cujo aumento vem por aí, com os protestos que o seguirão, fruto da péssima oferta deste serviço de transporte.”

Por este motivo, só agora posso comentar o ocorrido, por não atenderem o que, desesperadamente, proponho há mais de seis anos, às prefeituras do Rio e de São Paulo, com o propósito de lhes possibilitar o exercício da mais legítima justiça social.

É a oportunidade de tirar dos mais necessitados, que, desgraçadamente, dependem dos ônibus superlotados e, verdadeiras saunas ambulantes, o ônus do aumento periódico, previsto  em contrato, em má hora assinado, de suas tarifas.

Utilizassem o sistema Utilização Racionada das Vias, URV que, quer queiram quer não, virá por clamor público, quando se derem conta de suas vantagens, e este aumento seria subsidiado pelo pedágio social, a ser pago por quem pode, a classe média, que possui carro e o utiliza para o seu transporte.

O interessante, do noticiário da imprensa que, nas manifestações foi ferida de morte, no seu direito de informar, com o assassinato de um seu profissional, não se encontra nenhuma nota a respeito da causa, do estopim, de tudo que aconteceu e, é claro, que foi o aumento das passagens, já contestado anteriormente, com manifestações bem maiores, felizmente, somente com danos materiais.

Como sempre, tentaram responsabilizar o policiamento, cujo seu chefe, em declaração infeliz, (sic) “considerou as manifestações muito bem vindas”, felizmente inocentado pelas evidências das imagens.

A covardia política ou, o verdadeiro pavor de onerar os mais poderosos é totalmente injustificável e, só encontro explicação na ignorância da lei do trânsito e o comportamento  político de quem deveria tê-lo de estadista. O primeiro preza o voto, o segundo o bem estar de seus governados que, em médio prazo, também lhes trará votos.

A proposta do racionamento do uso da via é o recurso lógico e legal, para a falta de mobilidade urbana, bisonhamente enfrentada com apenas a criação de BRT que, não tira nem um por cento, dos usuários, sozinhos de seus carros, o mal real que aflige a mobilidade urbana, no mundo inteiro.

O ignorado  e pouco conhecido Código de Trânsito Brasileiro diz, claramente, no seu artigo 219 que trafegar com a velocidade , inferior á metade da máxima permitida, é considerado infração Média.

Ora, o que é que entope as vias, nas horas de maior demanda, impedindo que se desenvolva uma velocidade legalmente aceita? O motorista que, egoisticamente, trafega sozinho no seu carro, roubando espaço aos demais veículos, mais bem aproveitados, na sua capacidade de transportar pessoas.

A criação, a exemplo de Londres, de uma “taxa de congestionamento”, diária, no valor da multa de infração Média, prevista no artigo 219 do CTB, irá, de maneira restritiva, livrar o tráfego do praticante do transporte solitário. A criação, face da falta de opção do transporte público, para não usar o seu carro, do transporte solidário (o car pool) entre donos de carro, como medida construtiva, isentando-o do pagamento da taxa de congestionamento, para que possa trafegar, nas horas de pico. 

Como medida construtiva, de incentivo a que cada “car pool” tenha mais componentes, existirão prêmios semanais,por sorteio,em dinheiro, proporcionais ao número de componentes de cada grupo. Quanto mais componentes, maior o prêmio, podendo chegar, no caso de quatro componentes, a 400 mil reais.

Ainda como incentivo, para que se tire mais carros da rua, sem prejuízo do número de pessoas transportadas, haverá uma redução, do preço do pedágio mensal (50 reais), igual à redução percentual do número de carros circulando Essa redução poderá, inclusive , atingir o limite mínimo requerido para o subsidio do transporte público

Todo o controle do sistema é eletrônico, por meio de “chips”, e informatizado. Como disse um leitor em carta: “Civilizado demais para o Terceiro Mundo”.

Pelo resultado conseguido por mim, até agora, desmentindo o ditado: Água mole em pedra dura (no caso crânio duro) tanto bate até que fura, parece que o engenheiro, que me escreveu, está coberto de razão.

O fato real é que, estamos diante de um fato insólito, com grande parte da população prejudicada injustamente e, uma morte de um membro do Quarto Poder, indispensáveis a sua liberdade e o seu respeito, num Estado Democrático e de Direito.

Se, em virtude da tragédia que enlutou toda uma classe de profissionais e chocou o país e o mundo;

se, diante das vantagens do sistema URV, não for demovida a teimosia míope, dos governantes e, a substituírem pela ampla visão da sensatez, continuarão as arruaças das reclamações, nas ruas e, quem sabe, outras vítimas fatais ocorrerão.

Meu caro Prefeito, Eduardo Paes, Duda, dos bons tempos de administrador da nossa Barra, apelo para o seu sentimento de chefe de família e de político esperançoso, aliás, com todo mérito, para que me receba em audiência, a qualquer hora, dia e local, a fim, possa eu, olhos nos olhos, lhe detalhar o projeto que lhe fará passar para a história do Rio, por haver resolvido o baixo rendimento da nossa mobilidade urbana e, a redenção do povo, que sofre num transporte caro e desconfortável, com o congelamento da tarifa, certamente reduzida do valor atual.

É este o meu pedido, quase súplica, feito de forma pública, de propósito, por meio do Jornal do Brasil, órgão do Quarto Poder, de tradição centenária, sempre em defesa da causa pública , como agora aqui o faço, até como homenagem da perda irreparável do colega Santiago Andrade, que colocou, a nós da imprensa, todos de luto.

Que não haja mais manifestações de protesto e, muito menos vítimas, ao menos por aumento de passagens, facilmente contornado, pela simples prática, da tão decantada, justiça social, ou melhor dizendo,do sentimento cristão de amor ao próximo..

Que assim seja.

Tags: a redenção, da nossa, mobilidade, o baixo, rendimento, resolvido, urbana e

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