Jornal do Brasil

Quinta-feira, 31 de Julho de 2014

Trânsito

Semana Trágica

Celso Franco

Para quem, como eu, teve o privilégio de ser o responsável pelo trânsito do Rio, por duas vezes, num  total de mais de sete anos, é muito triste ver o que fizeram ou estão fazendo com esta super função urbana e, o pior ainda, ter que escrever sobre o que está ocorrendo.

Nesta semana que passou, ocorreram duas tragédias no trânsito do Rio:

a)A tragédia do tremendo engarrafamento da segunda feira, 27, por infeliz coincidência, o dia mundial em que o povo judeu relembra as suas vítimas do Holocausto, vivemos o nosso sacrifício ao volante ou nos ônibus e táxis.

b) A tragédia da terça feira, 28, quando um caminhão, prestador de serviços à Prefeitura, derrubou uma passarela, na importante Linha Amarela, causando vítimas fatais.

Na primeira se lamentou a perda de tempo e os transtornos decorrentes e, na segunda a perda de vidas, fato comum no nosso trânsito assassino.

O que mais me entristece é que, ambas as tragédias poderiam ter sido evitadas.

Senão vejamos:

Ao ter a notícia da nomeação de Carlos Roberto Osório, para a imensa responsabilidade de ser o principal responsável pela mobilidade urbana do Rio, nesta fase de grandes obras viárias, agendei uma audiência, com a nova autoridade, por gratidão e débito de amizade com seu avô, o banqueiro e prócer vascaíno, José Osório, de saudosa memória.

Fui recebido de maneira fidalga e até carinhosa, ocasião em que me prontifiquei, sem ônus algum, para assessorá-lo, no que fosse preciso.

Deixei em sua mão o planejamento, detalhado, do sistema URV. capaz de reduzir em até 80% o volume de carros particulares nas horas de pico, e o meu livro, verdadeiro manual para se gerir o trânsito, intitulado,: “Trânsito como eu o entendo”

Na primeira oferta que teria permitido se diminuir a atual oferta de vias ao tráfego na área central, sem nenhum problema, face a compatibilidade entre a oferta e a procura, ele deve ter delegado a algum técnico auxiliar que a deve ter engavetado, fruto do ciúmes .que, em homem é pior do que em mulher. Aliás, o Padre Antônio Vieira já dizia que: “Nada ofende mais do que a competência”.

Neste caso ainda é tempo, não apenas para minorar o mal já feito, mas, principalmente, para gerar recursos (cerca de 100 milhões/mês), afim subsidiar o transporte por ônibus, cujo aumento vem por ai, com os protestos  que o seguirão, em protesto pela péssima oferta deste serviço de transporte.

Quanto ao meu livro que, para minha honra, declarou que seria o seu “livro de cabeceira”, não deve ter tempo de lê-lo, fruto do cansaço de sua lide diária.

Se o houvesse lido teria visto no seu capítulo 6, quando cito a imortal frase de Abelardo Chacrinha: “Quem não se comunica se trumbica”, quanto á importância da sinalização inteligente e bem feita e, no decorrer do livro, a importância do condutor, antes de qualquer grande operação de trânsito, que já enfatizei, não pode acontecer numa segunda feira, ser exaustivamente esclarecido do que se pretende fazer. Afinal, quem faz o trânsito são as pessoas, já dizia o legendário Henry Barnes, diretor de trânsito de New York, por oito anos.

Houvesse havido um exaustivo esclarecimento á opinião pública, como feito, de maneira primorosa, no folheto que encontrei na portaria do Clube Naval,editado pela concessionária Porto Novo e a Prefeitura, que deveria ter sido inserido nos principais jornais. Se tivessem feito, em entrevista, nos jornais televisivos, dando as explicações necessárias, como se fez no governo Faria Lima, nas  vésperas de se fechar o tráfego do Largo da Carioca,tudo teria sido bem mais fácil.

O esquema de circulação, lógico e inteligente, face às vias disponíveis, organizado pela CET RIO, só não teve o sucesso desejado, face á falta de conhecimento dos executores, os motoristas.

 O pagador de impostos, por possuir um carro, merece respeito de quem lhe cobra dando-lhe um serviço eficiente.

Encerrando este assunto; Lembrem-se os atuais donos de nosso trânsito: O que se perde em tempo esclarecendo, ganha–se no sucesso da execução e, não é nenhuma vergonha, abortar-se uma operação que está provocando caos, para se repetir depois, com maior divulgação. Teria sido o caso, como ocorreu comigo, quando tentei a “Operação Folha Seca”, na praia de Botafogo. Meu “chute bateu na barreira”, da ignorância do motorista em saber trançar, no tráfego e eu a cancelei em plena operação. Errar é humano. Persistir no erro é ...Os senhores leitores escolham o qualificativo.

Quanto ao crime doloso do motorista do caminhão, por estar de caçamba levantada, propositalmente, a fim esconder a placa traseira, em excesso de velocidade, falando ao celular e trafegando, em horário proibido, bastaria uma pré-sinalização, constituída de um cabo de aço, com bandeirolas metálicas, de cores vivas, estendido sobre a pista, na mesma altura da passarela, alguns metros antes dela, evidentemente.

Aos meus leitores, desculpem este desabafo, mas, a minha folha de serviços prestados ao habitante do Rio, permitem-me este procedimento e que, como Pôncio Pilatos, lave as mãos do meu desejo de ajudar este jovem amigo secretário,com um futuro político promissor, mercê das qualidades herdadas de seu avô, meu saudoso amigo

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