Jornal do Brasil

Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Trânsito

E começamos o ano de 2014...

Celso Franco

Para mim, que no próximo dia 21 completo 88 anos, ainda lúcido, é uma agradável surpresa. Também, em junho, completo 46 anos de colaboração com o Jornal do Brasil,um galardão.

Para os demais brasileiros acontecerão dois eventos que irão gerar grande emoção e comoção: A Copa do Mundo em junho/julho e as eleições para a Presidência da República e os membros do Poder Legislativo, em outubro.

Por uma coincidência, que ninguém até hoje falou ou notou, exatamente, por ocasião da Copa de 50, a primeira após a Segunda Guerra Mundial, realizada no Brasil, coincidiu também com as eleições para os mesmos cargos de direção de nossa Pátria.

Apesar da derrota sofrida, até hoje, para o brioso time uruguaio, teve o povo brasileiro a alegria da volta de Getúlio Vargas ao poder, que nos legaria a Petrobrás, comemorada com a marchinha a carnavalesca:

  Bota o retrato do velho outra vez,

  Bota no mesmo lugar.

  O sorriso do velhinho

  Faz a gente trabalhar.

Os da minha geração ou próximo a ela se lembram disso.

Poderia dissertar sobre os dois acontecimentos, sendo que o primeiro, qualquer que seja o resultado terá efeito sobre o segundo, na continuidade ou na mudança da chefia da nação, no entanto, não estou autorizado a emitir minhas considerações. .A minha “praia” é comentar o trânsito, onde acontece tudo, menos transitar com mobilidade.

Talvez seja oportuno, lembrar ao nosso jovem prefeito e político  com um futuro promissor, se corrigir o rumo de seu governo, o sábio conselho do estadista Embaixador Francisco Negrão de Lima,que nos governou , quando o Rio era o pujante e rico Estado da Guanabara, com um primeiro governador eleito,do gabarito de Carlos Lacerda, outro estadista, sempre nos recomendava do alto de sua mineira sabedoria política:

“O importante na vida pública não é ser, é ter sido. Proceda, enquanto nela estiver, de maneira que, ao deixá-la, mereça sempre o respeito e, se possível a gratidão.”

Quantos, dos atuais governantes farão jus a este galardão que, o autor da frase, levou para o túmulo?

Nas atuais obras de reformulação da cidade, com vistas não, apenas ao evento de junho próximo, mas, as Olimpíadas de 2016, tem faltado o diálogo com a opinião pública, como bem aconselha o recém eleito presidente  do IAB-Rio ( Instituto dos Arquitetos do Brasil) o arquiteto e urbanista professor Pedro da Luz, em recente entrevista na mídia escrita.

Não se “enfia pela goela” da população projetos vultosos em custo e modificações na mobilidade, impunemente. A vingança contra o desrespeito às suas opiniões, o povo irá desforrar nas urnas. Esta reação, entre outras, faz parte do estado democrático de direito.

Cito sempre como exemplo, o prefeito de Zurique, na Suíça, das mais perfeitas democracias do mundo, onde testemunhei, em 1969, a sua população responder não, à consulta se concordavam na construção do metrô local, em face do custo e do benefício.

Deveria ter havido já que, como vaticinou o presidente João Figueiredo que nos restituiu a liberdade do estado democrático e de direito ao dizer, como bom cavalariano que: “Os brasileiros irão tomar um porre de democracia!”, o mesmo procedimento suíço, no que concerne, por exemplo, à demolição da avenida Juscelino Kubitschek.

É bem verdade que, houve excessos nas ações democráticas de descontentamento, no ano que passou, mas, qual o bêbado que não os comete?

No momento atual, o nosso jovem prefeito tem nas mãos uma bomba relógio prestes a explodir: O reajuste das passagens dos ônibus, previsto em contrato, cujo cumprimento, os empresários exigem. Afinal, são empresários e não mecenas.

Já enviei a todos os assessores do prefeito, só faltando pedir audiência a ele, em quem votei, o meu projeto de uso racionado das vias de rolamento, (URV), para os automóveis nas horas de pico e que cria uma soma vultosa para subsidiar o transporte público.

Da mesma forma que, quando cito o que ocorreu em Zurique, me aparteiam fruto do complexo de vira-latas, tão bem definido por Nelson Rodrigues: “Mas isto é na Suíça”

“E daí?” respondo eu. “As reações dos povos são iguais, diferente são os governos”.

O pior de tudo é quando me perguntam, ainda em função do complexo de vira-latas, quando exponho o projeto URV: “Em que país isto já foi adotado?”

Além de me irritar profundamente, ofende a minha inteligência e cultura erudita no assunto. Felizmente, como conforto, recebi de um leitor, engenheiro do ramo, a quem enviei o meu projeto detalhado, a sua opinião abalizada e sincera:

“Li o seu projeto e gostei. É uma revolução na gestão do trânsito urbano. Infelizmente, bom para o Primeiro Mundo. Afinal, não temos nenhum prefeito, que se compare a um Michael Bloomberg” (referindo-se ao revolucionário prefeito de New York, por 12 anos)

Tags: além, de me irritar, inteligência, ofende a minha, profundamente

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