Jornal do Brasil

Sábado, 19 de Abril de 2014

Trânsito

Projeto talidomida

Celso Franco

Eu já deveria ter abordado antes, este assunto, até porque, me foi recomendado pelo o nosso redator chefe mas, a absurda e infeliz opinião do  Ministro da Fazenda “metendo a colher”, aonde não foi chamado, contrária á obrigatoriedade do “air bag” e do freio ABS, nos nossos veículos novos, mereceu prioridade e não pude fazê-lo antes. Felizmente a sugestão foi abortada.

Trata-se da notícia divulgada pelo JB, enfocando as justas reclamações dos moradores do Jardim Oceânico, aqui na Barra da Tijuca onde resido, sobre a finalização da linha 4, do metrô, em nosso bairro, ao invés de ir até o Terminal Alvorada, a nosso ver muito mais lógico. Como não sou especialista em engenharia de transportes, tentei contacto, via e-mail,com o meu amigo engenheiro Fernando Mac Dowell, sem resultado, talvez por ausência temporária do Rio. Então, vou analisar, principalmente, as conseqüências, também temidas, pelos moradores, no já hoje, difícil escoamento do tráfego de passagem, nas horas pico.

A primeira vez que andei em metrô, foi no fatídico dia 16 de julho de 1950, quando o Brasil perdeu a Copa do Mundo para os uruguaios. Eu era Guarda Marinha e, chegava a Londres, em gozo de férias. Ávido para ouvir o jogo, na BBC, após fazer o “chec in” no hotel e ter comido um magro  almoço, face ao racionamento ainda vigente, tomei o  underground, ou “the tube”, como é conhecido,maravilhado com aquele trem subterrâneo, de alta velocidade. Mais maravilhado ainda fiquei, quando, após uns quarenta minutos de viagem, assomou à superfície e seguiu, como trem, até o seu destino final, onde eu desejava chegar. Anos mais tarde, já na reserva do serviço ativo naval, como Capitão de Fragata, exercendo o cargo de diretor geral do DETRAN GB, tive a oportunidade, na década de 60, de visitar as obras de construção dos metrôs das cidades alemãs de Frankfurt, Munique, Colônia e Stutgart, que também tinham trechos, como simples bondes urbanos, na superfície, diferente do de Londres, que continua como trem, na superfície, em via bloqueada.

Aprendi, com os técnicos na Alemanha que, o passageiro deve ser encarado com se fora um “container” de carga, utilizando o menor número de modais de transporte possíveis, para o seu deslocamento.

O que se fez aqui na Barra, afrontando as justas reclamações dos moradores, através, de sua Associação, pela voz do seu diligente presidente, Dr Luiz Igrejas e os esforços do nosso vereador Carlo Caiado, parece que aplicaram uma dose de talidomida ao projeto, deformando-o, com membros mais curtos.

A colocação do terminal, onde está projetado, sem espaço previsto para parada do esperado e desejado fluxo de carros e de ônibus dos condomínios, para os passageiros com destino ao seu embarque e desembarque, irá criar uma retenção maior do que a já existente, nos horários de pico, quando também deverá acontecer a maior procura pelo transporte de massa subterrâneo.

Existem meios de se conseguir e de se prover espaço para o estacionamento de carros e parada dos ônibus, que deveriam ser criados, circulares no bairro e gratuitos, a fim de se evitar o uso do carro, somente para alimentar o metrô, otimizando o uso do espaço para o estacionamento dos automóveis.

Quando residi, em Haia, na Holanda, no final da década de 50, deixava dois carros na garagem e pegava o ônibus de 7,26 horas que me permitia a conexão com o trem de 08,02 para Roterdam. Funcionou, sem atrasos, durante os dois anos que segui esta rotina.

Voltando ao projeto, embora não especializado, cursei a escola do bom senso e, por que não se estende, na superfície, o novo metrô, até o terminal lógico e mais funcional em função do seu uso, atendendo á área dos shoppings, poupando o passageiro (container) da utilização de dois modais de transporte?

Seria em linha única, pelo canteiro central a fim de não eliminar nenhuma faixa de rolamento existente, , utilizando-se a atual área expandida do terminal previsto, no Jardim Oceânico ou, no próprio Terminal Alvorada, para o desvio, onde o trem de ida aguardará o de volta, ou vice versa, conforme funcionou o velho bonde que fazia o trajeto Usina da Tijuca– Alto da Boa Vista,com desvio em local mais amplo da linha única,igual, a que, amadoristicamente, proponho.

Estas são as minhas considerações sinceras e no melhor intuito de cooperação, embora não conhecedor profundo do assunto transporte mas, imbuído do espírito de bem servir aos pagadores dos impostos IPVA e IPTU , que não são baratos...

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