Jornal do Brasil

Sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Trânsito

Testando as novidades

Celso Franco*

Na última quinta feira, do mês que passou, véspera da “Sexta Feira Negra”, promoção comercial importada, coisa que adoramos fazer, ou seja, copiar o que lá fora fazem de bom ou de mal, vivia minha “quinta feira negra”, em termos de mobilidade urbana, ainda não entendida, por aqueles que têm o dever de entender o que ela significa.

Imaginem que eu, morador do Jardim Oceânico, na Barra, sai de minha casa as 14 horas e só cheguei no centro, especificamente, no Edifício Garagem Menezes Cortes, ás 16 horas. Duas horas de viagem, felizmente em carro hidramático e com ar refrigerado, pois fazia um calor infernal, tempo, mais do que suficiente para ir até Petrópolis.

Irritado, pelo fato, até porque quase perdi um compromisso num escritório que encerrava seu expediente ás 17 horas, mentalmente calculei a minha velocidade média neste trajeto: 13 km/h, ou seja, equivalente a ter ido de bicicleta, sem correr muito.

Quanto ao rendimento das vias do meu trajeto, dentro da malha viária, ou tecido urbano, para satisfazer os teóricos tecnocratas do ramo, comparando a minha velocidade com a média ponderada das velocidades limites toleradas durante o trajeto, foi de 16%.Para aumentar a minha irritação, em plena Avenida Atlântica, a mais sofisticada via de nossa cidade, quatro caminhões, trafegavam, carregados de entulho, impunemente, em marcha abaixo da metade da máxima, em desacordo com a lei. No meu saudoso tempo, não apenas para mim, mas para os cariocas, caminhões, não trafegavam nas vias nobres. Apenas aos prestadores de serviço, era tolerado, durante o horário noturno até as 7 horas da manhã. Ou, voltando ao tema, houve um desperdício de tempo, gasolina, poluição do ar de 84%.Como diria o comentarista de futebol, na SPORT TV, Milton Leite: “Que beleza...”

Mas, isto é apenas um protesto aos meus amigos da CET Rio, para que se reúnam menos e ajam mais, pois que, pelo que sei, não lhes falta conhecimento, falta a experiência executiva, não ensinada, infelizmente, nos curso de engenharia de tráfego.

Seria facilmente remediado se, houvesse um convênio, com a Polícia Militar, para que lhes fosse ensinado, como complemento à teoria, um pouco de prática, nas ruas, do gerenciamento de operação de trânsito. Fica  a sugestão que, naturalmente , não será aceita, por ferir a vaidade humana.

Mas, fazendo jus ao título deste artigo, minha esposa resolveu testar o BRT, que liga Barra, mais propriamente o Recreio, onde embarcou com a nossa filha mais moça, com destino a Campo Grande. Impressão excelente, rápido e confortável, por haverem feito a viagem ás 9 horas. Talvez, observação dela, fosse interessante colocar na porta de saída do BRT, o aviso de atenção ao espaço entre ela e a plataforma. Cópia do que se tem no Underground londrino : “Mind the gap”.

Volta, cerca das 17 horas, ainda rápido, menos confortável, por excesso de passageiros que já se acomodavam em pé. Tal constatação confirma o que alerto, não é suficiente a oferta de transporte de massa, sobre pneus, para incentivar, num percentual capaz de aumentar o rendimento ridículo da nossa malha viária, o abandono do transporte individual, incentivado pela facilidade e o correto incentivo federal, em adiquiri-lo.

Resolvi, passada a pior fase da “tempestade”, viajar até Niterói, onde dou minha cooperação há mais de trinta anos, uma vez que no Rio, não a aceitam, nem no que sugiro aqui nestas linhas semanais, e o fiz, por precaução, ás 14 horas, saindo da Barra Tomei o antigo trajeto, pela Perimetral, até a Praça Mauá, quando entrei na Avenida Rodrigues Alves e fui, logo adiante, induzido para a nova via Binário, de excelente feitura. É evidente que, nas horas de pico, estará congestionadas, até que se concluam as obras  das outras vias complementares, mas, áquela hora, fluiu, razoavelmente, bem.

Como observação construtiva, considerando que, a sinalização orientadora deve ser para quem não conhece o caminho ou a cidade, faltam as indicações, durante o trajeto e ao tomá-la, a indicação clara de que se destina à cidade de Niterói. Sofri, temeroso, até porquê existe uma saída com indicação, para o Caju e a Avenida Brasil, ainda no seu percurso. Poderia por ali, creio eu, assomar á rampa com destino a Avenida Brasil e a Ponte Rio –Niterói, ou ainda, mais importante, á Linha Vermelha, aliviando o acúmulo de tráfego ao se chegar, ao terminal rodoviário, quando, finalmente, para minha tranqüilidade, aparece, de maneira tímida, a indicação de Niterói. Corrijam esta deficiência se, entre uma reunião e outra tiverem tempo de ler o JB, pioneiro em análise do trânsito do Rio e, por isto haver convidado a com ele cooperar, três ex-diretores de trânsito, a saber: Menezes Côrtes, Américo Fontenelle, e eu. Nós três procuramos usar esta oportunidade, para continuarmos a cooperar na melhoria de nossa paixão profissional, o trânsito urbano do Rio.

* Celso Franco, oficial de Marinha reformado (comandante), foi diretor de Trânsito do antigo estado da Guanabara e presidente da CET-Rio. - acfranco@globo.com  

Tags: ainda, confortável, de passageiros, menos, por excesso, rápido

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