No último domingo do mês de maio, aconteceu o único circuito de rua do calendário do Circo da Fórmula 1 e também o mais difícil e o mais charmoso, excelentemente mostrado no filme Gran Prix, em que o cantor e ator Yves Montand interpreta o papel principal, como o piloto campeão Jean Pierre Sarti, competindo pela Ferrari. O filme, imperdível para quem admira o automobilismo, mostra os bastidores de uma temporada de Fórmula 1, com suas alegrias, diversões e dramas. Ele começa exatamente com o circuito de Mônaco, onde se pode admirar todo o seu charme e as dificuldades de ultrapassagem desta prova.
No circuito real, do penúltimo domingo, foi vencedor, surpreendentemente, Nico Roseberg, repetindo o feito de seu pai, Keke Roseberg, exatamente há 30 anos, na década de 70. Aquela vitória aconteceu depois que Keke deixou de ser piloto com Emerson Fittipaldi, do infelizmente fracassado projeto do carro Copersucar, e pôde pilotar um carro competitivo. Mas, enquanto ele ainda vinha ao Brasil, por conta de sua parceria, tive a oportunidade de conhecê-lo. Inclusive, travar uma conversa, por pura sorte ou acaso.
Por causa do meu relacionamento com a relações-públicas do César Park Hotel, casada com um grande amigo meu, fui convidado a comparecer a um jantar especial, naquele hotel, em Ipanema. Com o menu, onde se destacava um rizzoto al salmone, que seria supervisionado e organizado pelo famoso astro italiano Ugo Tognazzi, que estaria presente. Foi uma excelente reunião, e pude merecer o menu autografado pelo famoso astro, personagem principal do filme Gaiola das loucas, que figura, orgulhosamente, entre outras preciosas lembranças, no bar de nossa casa. Pois bem, estava presente, muito bem acompanhado, por uma famosa cantora brasileira, o piloto Keke Roseberg. Não sei se ainda está vivo para poder se orgulhar da grande vitória do filho, onde venceu quem soube cuidar bem dos pneus, e aqui começa o tema do título, e terminam as amenidades.
Inteligentemente, com o propósito de valorizar a perícia dos pilotos e a estratégia das paradas, passou-se a colocar pneus de uma constituição mais exposta ao desgaste das altas velocidades, o que, de fato, tornou mais emocionante a competição. Os carros da Fórmula 1 sempre serviram de teste para melhorias dos carros de passeio mais sofisticados ou mais caros. Este ano, enfocando a importância dos pneus, serve de alerta ao motorista brasileiro, um otimista e imortal. Esta falta de atenção com a importância dos pneus é incentivada pela ausência de uma rigorosa vistoria anual neste importante item de segurança de um carro. Deveria haver a verificação da profundidade dos frisos dos pneus. O fato de existirem frisos não assegura que a aderência seja satisfatória, especialmente com chuva. Os pneus em melhor estado devem estar colocados nas rodas de propulsão, pela razão muito simples de que elas garantem o controle do carro, na marcha reduzida nas curvas, quando a aceleração segura o carro, ou no uso do freio motor nas descidas de ladeira.
Os carros em que o motor puxa o carro, ou seja, de tração dianteira, esta segurança se faz maior do que aquela que nos oferece o motor que empurra o carro, com a tração traseira. Outro item que nem sempre é observado é manter a pressão adequada dos pneus. Deve ser efetuada sempre que se abastece, mesmo com pressa.
O rodízio dos pneus em X deve ser feito com uma periodicidade máxima de seis meses. Aí está, bem viva, a lição do circuito de Mônaco, em que o detalhe de saber utilizar os pneus, principalmente na condução do carro, deu a vitória a Nico Rosemberg, a cujo pai, um dia, há mais de trinta anos, fui apresentado e pude manter interessante conversação.
*Celso Franco, oficial de Marinha reformado (comandante), foi diretor de Trânsito do antigo estado da Guanabara e presidente da CET-Rio. - [email protected]