Jornal do Brasil

Quarta-feira, 10 de Abril de 2013

Trânsito

Uma opinião sensata

Jornal do BrasilCelso Franco*

Está na ordem do dia o assunto Elevado das Bandeiras, cuja condenação estrutural por técnicos da Coppe, obrigou a prefeitura a tomar providências urgentes para corrigir o grave risco para milhares de pessoas que por ele trafegam todos os dias. Como já comentei aqui, nesta coluna semanal, as providências de segurança tomadas, enquanto não se corrigem as falhas, foram tímidas. Engenharia estrutural não é a minha praia, apesar dos seus atrativos. Assim sendo, acredito nas medidas tomadas como válidas, embora não entenda como se proíbe a circulação, esporádica, de caminhões e se permite a circulação constante dos ônibus. Também a limitação de velocidade dos carros, em menos 20 km do limite máximo permitido anteriormente, o que aumenta o tempo de permanência no trecho, não sei se é pior do que os efeitos da vibração maior da velocidade de 80 km, antes permitida.

De qualquer forma, eu, usuário contumaz do trecho em foco, só o utilizo quando volto, trafegando na sua pista superior. Caso o pior aconteça, estarei mais seguro por estar acima de todos. Caso contrário, estaria esmagado pelo vão de cima.

Ao ler, na semana que passou, na seção Dos Leitores do jornal O Globo, comentários referentes ao assunto, chamou-me a atenção a carta do leitor Roberto Solano, que se apresenta como engenheiro que trabalha com estruturas, portanto, do ramo.Enfatiza ele, como eu que leigo sou, a importância da redução da carga sobre a estrutura. Esta só será obtida com a certeza de que seja mantida dentro dos atuais níveis de segurança estrutural. Isto é o óbvio que qualquer um entende, não precisa ser especialista.

Sugere o engenheiro Solano que se instale um sistema de sinalização atuado pelo volume de tráfego sobre o trecho condenado, fechando-o ao tráfego, todas as vezes que ele estiver lotado, ou acima do volume de segurança. Os sistemas inteligentes de controle semafórico permitem isso. De minha parte, aproveitando o bom relacionamento com a atual administração da Secretaria Municipal de Transportes e com a CET-Rio, estou solicitando audiência para lhes propor, nos acessos ao elevado, nas horas de pico, a implantação do controle de volume de carros de passeio, pelo sistema URV (o pedágio inteligente), capaz de reduzir o seu volume de 50 a 80%.

É uma oportunidade única para se preservar vidas e se obter uma renda capaz de subsidiar o transporte público, que por ali circula, e demonstrar que é a solução para mobilidade urbana de toda a cidade.

Com as atuais medidas tímidas tomadas, continuarei evitando trafegar sob uma pista que pode desabar, como ocorreu durante a sua construção, com o Elevado da Avenida Paulo de Frontin, em que morreram 26 pessoas, em 1971. 

 

* Celso Franco, oficial de Marinha reformado (comandante), foi diretor de Trânsito do antigo estado da Guanabara e presidente da CET-Rio. - acfranco@globo.com

Tags: Celso, coluna, franco, segunda, Trânsito

Compartilhe:

Tweet

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.